Um homem foi detido após ser flagrado com duas piraíbas armazenadas em um freezer dentro de uma residência na zona rural de Iporá, município localizado na região oeste de Goiás. A ação foi realizada pelo Batalhão de Operações Ambientais, que também apreendeu 200 metros de redes de pesca e uma tarrafa no local. O suspeito foi preso em flagrante, e a ocorrência aconteceu em uma fazenda no Povoado de Cacolândia, nesta segunda-feira (27).
Proibição estadual e crime ambiental
A pesca e o consumo da piraíba são terminantemente proibidos em todo o estado de Goiás, conforme determina a legislação ambiental vigente. O suspeito foi autuado com base na Lei de Crimes Ambientais e encaminhado para a delegacia de Iporá. A reportagem não conseguiu localizar a defesa do homem até o momento. O g1 entrou em contato com a Polícia Civil para obter mais informações sobre o andamento da investigação, mas não houve retorno até a última atualização desta matéria.
Espécie ameaçada de extinção
Em entrevista ao g1, o biólogo Edson Abrão explicou que a piraíba é uma espécie ameaçada de extinção, e sua função no ecossistema é fundamental para o equilíbrio ecológico. “É de grande importância, porque ele se alimenta de outros peixes, que poderiam causar um desequilíbrio ecológico no meio ambiente. Então, é necessário que ele exista. Ele é um predador de topo de cadeia”, afirmou o especialista.
Lista de espécies proibidas
De acordo com a Lei Estadual n. 13.025/1997, além da piraíba, outras sete espécies estão proibidas de serem abatidas na Bacia Hidrográfica do Araguaia-Tocantins. São elas: bargada, jaú, piranambú (surubim-de-canal), pirapitinga-do-sul, piraíba (filhote, piratinga), pirarara, pirarucu (pirosca) e rubinho. A legislação proíbe inclusive o consumo no local de pesca.
Depoimento de guia turístico
O guia Wesley Silva, que já fisgou uma piraíba de 1,8 metro na Região da Viúva, em Nova Crixás, destacou a importância de preservar a espécie. Em 2025, ele conseguiu pescar dois exemplares grandes, um de 2,05 e outro de 2,16 metros. Para ele, manter a piraíba viva é mais vantajoso para a comunidade que vive às margens do Rio Araguaia. “Faz dó matar um peixe desse. Ele vivo vale muito mais, pois traz um movimento para o Araguaia, para as pousadas. Vem gente de todo o canto do Brasil fazer essa pescaria”, explicou.
O caso reforça a necessidade de fiscalização e conscientização sobre a preservação de espécies ameaçadas, como a piraíba, que desempenha papel crucial no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.



