Rio de Janeiro atinge 41,4°C e registra o dia mais quente do verão
Rio bate 41,4°C e tem caos no transporte em dia de calor extremo

O Rio de Janeiro viveu, nesta segunda-feira (12), o dia mais quente do verão de 2024, com termômetros marcando temperaturas superiores a 40°C em várias regiões. O calor intenso transformou a rotina da cidade, levando multidões às praias, mas também causando transtornos significativos no transporte público e na saúde da população.

Recorde de temperatura e praias liberadas

De acordo com o Alerta Rio, sistema da prefeitura, a estação de Santa Cruz, na zona oeste, registrou a impressionante marca de 41,4°C durante a tarde. O valor superou o recorde do dia anterior, domingo (11), quando os termômetros chegaram a 40,1°C. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmou as altas temperaturas, com 40,8°C na Vila Militar e 41°C em Seropédica, na Baixada Fluminense.

Diante da onda de calor, as praias cariocas se tornaram o refúgio preferido. Copacabana, Arpoador e Ipanema estiveram mais cheias do que o normal, um movimento impulsionado por turistas que permanecem na cidade após o Réveillon. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) liberou o banho em 20 praias da capital.

Caos no transporte e estratégias para fugir do sol

Enquanto muitos buscavam o alívio do mar, outros enfrentaram um dia difícil no deslocamento pela cidade. Passageiros de ônibus municipais foram surpreendidos pela paralisação de duas grandes empresas, Real Auto Ônibus e Vila Isabel, alegando falta de combustível. Com a maioria dos veículos nas garagens, apenas 57 ônibus circularam, afetando principalmente as linhas que conectam o centro à zona sul.

O cenário foi de desconforto e improviso:

  • Nas filas de ônibus da Avenida Brasil, com pouca sombra, as pessoas se aglomeravam sob a sombra de postes.
  • Guardas-chuvas viraram item essencial de proteção solar.
  • Pontos de ônibus na Tijuca e no centro ficaram abarrotados, mesmo em período de férias escolares.

O Terminal Gentileza, na Leopoldina, ponto crucial para moradores da Baixada, registrou filas intermináveis. Pedro Victor Araújo, 35 anos, analista de dados, esperou uma hora por um ônibus para Copacabana e relatou uma viagem apertada, com ar-condicionado insuficiente. "É comum chegar no trabalho e ouvir relatos de pessoas que passaram mal. Foi o meu caso hoje", afirmou.

Impactos na saúde e medidas das autoridades

As consequências do calor extremo já são sentidas na saúde pública. Entre os dias 1º e 11 de janeiro, a rede estadual de saúde atendeu 1.597 pessoas que passaram mal devido às altas temperaturas.

Diante da crise, a prefeitura mantém a cidade no nível de calor 3, indicando temperaturas entre 36°C e 40°C por mais de três dias seguidos. Se atingir o nível 4, a administração pode decretar o cancelamento de eventos e aulas. Como ação emergencial, o governo Cláudio Castro anunciou a distribuição de água para trabalhadores e pessoas em situação de rua.

A secretaria municipal de Transportes informou que, em razão da falta ou defeito no ar-condicionado, descontou R$ 33,7 milhões em subsídios das empresas de ônibus referentes a sete meses, entre julho de 2023 e janeiro de 2024. A orientação é que os veículos com ar-condicionado circulem com temperatura interna oito graus abaixo da externa.

A previsão do tempo traz um alívio relativo. Para esta terça-feira (13), há possibilidade de chuva isolada à tarde e à noite, com temperaturas entre 22°C e 39°C. Na quarta (14), a máxima deve cair para 36°C, mas na quinta-feira (15) os termômetros voltam a subir, podendo alcançar 37°C.