Rio Acre registra vazante e fica abaixo da cota de atenção em Rio Branco
Após 12 dias consecutivos acima da cota de atenção, o nível do Rio Acre apresentou uma vazante significativa e marcou 9,90 metros na medição das 5h deste sábado (21), em Rio Branco. O manancial havia ultrapassado a cota de 10 metros no dia 9 de março, mantendo-se em alerta até esta manhã.
Previsões climáticas e alertas da Defesa Civil
Em entrevista ao g1, o coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou que, apesar da baixa registrada, a tendência é de chuvas na região nos próximos dias. Até sexta-feira (20), o acumulado de chuva na capital era de 216,2 milímetros, com uma expectativa de 276 milímetros para todo o mês de março.
"A previsão para esses 10 dias finais de março é que continue chovendo, contudo, serão chuvas mais leves, de forma que fique ainda dentro da média do mês. Apesar de pouco, já estamos sofrendo com o fenômeno El Niño, que diminui a quantidade de chuvas na região", destacou Falcão.
Risco de transbordamento e histórico de cheias
Devido às fortes chuvas do inverno amazônico, o Rio Acre costuma apresentar instabilidade no período. No entanto, segundo Falcão, caso o rio não transborde até o final de março, a previsão para abril é que não ocorram mais cheias no primeiro semestre deste ano.
O tenente-coronel afirmou: "Estamos finalizando um levantamento para descartar ou não essa possibilidade de transbordamento ainda em março, visto que, a partir do final do mês, a gente normalmente descarta completamente".
As cotas estabelecidas pela Defesa Civil para o Rio Acre em Rio Branco são:
- Alerta: 13,50 metros
- Atenção: 10 metros
- Transbordamento: 14 metros
Histórico recente de cheias e impactos
Apenas nos primeiros três meses de 2026, o Rio Acre já transbordou duas vezes, afetando milhares de moradores em Rio Branco:
- Em 16 de janeiro, quando marcou 14,01 metros às 15h.
- Em 29 de janeiro, ocasião em que chegou a 14 metros.
Após oito dias consecutivos de transbordamento na primeira cheia, o manancial começou a baixar no dia 24 de janeiro, quando marcou 13,98 metros. No entanto, poucos dias depois, o nível voltou a subir, registrando a segunda cheia em 29 de janeiro.
No dia 3 de fevereiro, após quase uma semana em transbordamento, o rio começou a vazar. O maior nível foi registrado no dia anterior, com 15,44 metros na medição das 9h, afetando mais de 12 mil pessoas direta e indiretamente na capital.
O Rio Acre entrou na casa dos 10 metros no dia 7 de fevereiro, com 10,93 metros, e continuou em queda. No dia 9 de fevereiro, após quase um mês acima da cota de atenção, o nível baixou e as famílias abrigadas no Parque de Exposições Wildy Viana começaram a retornar para casa. Ao todo, 39 famílias, somando 115 pessoas e 26 animais, estavam no parque naquela época.
Dados pluviométricos e contexto climático
A capital acreana fechou o mês de fevereiro com um volume de chuvas abaixo da média, registrando 114,4 milímetros, conforme levantamento da Defesa Civil Municipal. Este índice representa apenas 38,1% do esperado para o mês, que era de 300,1 mm.
O fenômeno El Niño tem contribuído para a diminuição das chuvas na região, agravando a situação de instabilidade do Rio Acre durante o inverno amazônico. As autoridades continuam monitorando de perto as condições climáticas e os níveis do rio para prevenir novos transbordamentos e proteger a população local.



