NOAA confirma fim da La Niña e emite alerta oficial de El Niño para 2026
NOAA alerta para El Niño em 2026 após fim da La Niña

NOAA confirma transição climática: La Niña chega ao fim e El Niño é esperado para 2026

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou oficialmente nesta quinta-feira, 12 de março de 2026, que o fenômeno La Niña está chegando ao seu término. Simultaneamente, a agência emitiu um alerta climático significativo: há uma alta probabilidade de desenvolvimento do El Niño durante o segundo semestre deste mesmo ano.

Probabilidades e cronograma da transição climática

Segundo o boletim divulgado pelo Centro de Previsão Climática da NOAA, existe uma chance de 62% de que o El Niño se estabeleça efetivamente entre os meses de junho e agosto de 2026. A previsão indica que, uma vez configurado, o fenômeno deve persistir pelo menos até o final do ano. O documento detalha que a transição para uma fase neutra – sem a influência nem da La Niña nem do El Niño – deverá ocorrer no próximo mês, com 55% de probabilidade de essa neutralidade se manter durante o período de maio a julho.

Os modelos climáticos apontam claramente para o desenvolvimento subsequente do El Niño a partir desse ponto de neutralidade, marcando uma mudança significativa nos padrões atmosféricos globais.

Entendendo o fenômeno ENOS: El Niño e La Niña

O El Niño e a La Niña representam as duas fases opostas do mesmo fenômeno climático, conhecido como ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O El Niño se caracteriza pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, com temperaturas iguais ou superiores a 0,5°C acima da média. Este evento ocorre com uma frequência que varia entre dois e sete anos, possui duração média de aproximadamente doze meses e exerce um impacto direto no aumento das temperaturas globais.

Em contrapartida, a La Niña constitui a fase oposta, marcada pelo resfriamento dessas mesmas águas do Pacífico equatorial. Seus efeitos sobre o clima global são igualmente significativos, porém atuam em direção contrária, muitas vezes amenizando as temperaturas médias do planeta.

Estado atual e sinais precursores do El Niño

A NOAA relata que a La Niña ainda estava presente em fevereiro de 2026, manifestando-se através de temperaturas oceânicas abaixo da média na região centro-leste do Pacífico equatorial. O índice Niño-3.4, principal parâmetro para monitoramento do fenômeno, registrou -0,5°C na última semana de observação.

No entanto, um sinal crucial já é observado: as temperaturas nas camadas subsuperficiais do oceano vêm apresentando um aumento consistente. Este aquecimento nas profundezas indica que calor está se acumulando e deverá emergir para a superfície nos próximos meses, alimentando a formação do El Niño.

Fatores que sustentam a previsão e incertezas sobre a intensidade

A agência climática americana destaca dois fatores principais que fundamentam a expectativa de formação do El Niño:

  1. A grande quantidade de calor armazenada abaixo da superfície do Oceano Pacífico.
  2. O enfraquecimento previsto dos ventos alísios de baixos níveis, que sopram habitualmente de leste para oeste sobre a linha do equador.

Quando estes ventos perdem força, permitem que a massa de água quente normalmente represada no Pacífico ocidental se desloque em direção ao leste, desencadeando os efeitos climáticos globais associados ao El Niño.

Apesar dos indicativos, a força exata do possível El Niño permanece uma incógnita. A NOAA estima uma chance de um em três (aproximadamente 33%) de que o evento seja classificado como "forte" entre outubro e dezembro de 2026. Esta classificação ocorre quando o índice Niño-3.4 atinge ou supera a marca de +1,5°C acima da média.

Outros centros meteorológicos internacionais, como o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), projetam cenários ainda mais intensos. Contudo, a NOAA ressalta que as previsões climáticas nesta época do ano – período conhecido como "barreira de previsão de primavera" no Hemisfério Norte – possuem confiabilidade reduzida. As projeções tendem a ganhar maior precisão a partir do mês de junho.

Projeções internacionais e possibilidade de um evento intenso

Dados recentes do modelo ECMWF sugerem que o planeta pode caminhar para um novo episódio de El Niño ainda em 2026, com potencial para intensidade elevada. As projeções europeias indicam:

  • 98% de chance de formação de um El Niño moderado até agosto de 2026.
  • 80% de probabilidade de que o fenômeno evolua para a categoria forte.
  • 22% de chance de que o evento alcance a categoria considerada "super", associada aos episódios mais extremos já registrados.

O meteorologista César Soares, da Climatempo, comenta: "Os modelos já indicam a possibilidade de um El Niño forte a partir de maio, ganhando força ao longo do inverno. Mas ainda é cedo para falar em um ‘super El Niño’; por enquanto, esse cenário precisa de mais confirmação".

Impactos potenciais no Brasil e no mundo

No território brasileiro, a atuação do El Niño costuma reforçar as condições de calor durante o verão e tornar os invernos menos rigorosos. Isto ocorre porque o fenômeno dificulta o avanço das frentes frias pelo país, resultando em quedas de temperatura mais sutis e de menor duração.

Em escala global, eventos intensos de El Niño historicamente empurram o planeta para anos recordes de calor. O calor liberado pelo oceano se redistribui pela atmosfera com meses de defasagem, o que significa que os efeitos mais intensos sobre as temperaturas globais podem ser sentidos ao longo de 2027.

O histórico serve de alerta para regiões vulneráveis. Durante o Super El Niño de 2015-2016, secas severas castigaram partes da África, América Central, Ásia e Oceania. Países tropicais da América do Sul, África, Oriente Médio, Índia e Austrália tendem a registrar ondas de calor e umidade extremas durante esses períodos.

Definição e raridade de um Super El Niño

Não existe um consenso absoluto entre a comunidade científica para a definição exata de um Super El Niño. De forma geral, o termo é empregado quando o aquecimento das águas do Pacífico na região-chave monitorada (Niño 3.4) supera os 2°C acima da média histórica, desencadeando uma resposta atmosférica de magnitude excepcional.

Estes eventos são considerados raros, ocorrendo, em média, uma vez a cada 10 a 15 anos, e seus impactos são proporcionalmente mais severos e abrangentes.

A NOAA manterá o monitoramento contínuo, com o próximo boletim diagnóstico sobre o ENOS previsto para 9 de abril de 2026. A incerteza ainda é um componente significativo, mas os sinais crescentes apontam para um ano de 2026 com mudanças climáticas importantes em escala planetária.