Relatório da OMM revela que década 2015-2025 foi a mais quente da história
Década 2015-2025 é a mais quente já registrada, alerta OMM

Década mais quente da história é registrada pela Organização Meteorológica Mundial

A última década, compreendida entre os anos de 2015 e 2025, foi oficialmente classificada como a mais quente já registrada em toda a história das medições climáticas. Esta conclusão alarmante faz parte do relatório Estado do Clima Global 2025, divulgado nesta segunda-feira pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). O documento, publicado por ocasião do Dia Meteorológico Mundial, alerta que o clima do planeta Terra está mais desequilibrado do que nunca, com mudanças rápidas e de grande escala que podem ter impactos duradouros por séculos.

Indicadores climáticos mostram transformações profundas e aceleradas

O relatório da OMM destaca uma série de indicadores críticos que demonstram a gravidade da situação climática atual. Entre os principais pontos analisados estão:

  • Emissão de gases de efeito estufa em níveis preocupantes
  • Temperaturas da superfície terrestre e dos oceanos atingindo recordes históricos
  • Derretimento acelerado de gelo em diversas regiões do planeta
  • Balanço energético da Terra apresentando desequilíbrios sem precedentes

Pela primeira vez na história dos relatórios climáticos, a OMM incluiu o balanço energético da Terra como um dos principais indicadores. Este parâmetro mede a diferença entre a energia que entra no planeta através da radiação solar e a que é liberada de volta para o espaço. Segundo especialistas, o aumento constante dos gases de efeito estufa, que retêm calor na atmosfera, tem provocado um desequilíbrio crescente neste sistema, alcançando níveis recordes especificamente em 2025.

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Temperaturas atingem patamares históricos mesmo com fenômenos de resfriamento

Os dados apresentados no relatório são particularmente preocupantes porque mostram que mesmo sob a influência do fenômeno La Niña, que normalmente tende a resfriar o planeta, o ano de 2025 ainda se classificou entre os mais quentes já registrados. A temperatura média global ficou impressionantes 1,43 °C acima dos níveis pré-industriais, referentes ao período entre 1850 e 1900. Este aumento significativo ocorreu apesar das condições climáticas que normalmente trariam alívio térmico.

Oceanos absorvem a maior parte do calor extra com consequências devastadoras

O relatório revela que mais de 91% do calor extra gerado pelo desequilíbrio climático está sendo absorvido pelos oceanos. Esta absorção maciça tem elevado continuamente o conteúdo de calor até profundidades de até 2.000 metros, alcançando novos recordes nos últimos anos. As consequências deste aquecimento oceânico são diversas e profundamente preocupantes:

  1. Degradação de ecossistemas marinhos em escala global
  2. Perda acelerada de biodiversidade marinha
  3. Redução da capacidade de absorção de carbono pelos oceanos
  4. Intensificação de tempestades e fenômenos climáticos extremos

Além disso, os oceanos também absorveram aproximadamente 29% do dióxido de carbono emitido por atividades humanas entre 2015 e 2024. Esta absorção contribui diretamente para a acidificação da água, cujo pH vem diminuindo consistentemente há mais de quatro décadas, alterando fundamentalmente a química marinha.

Derretimento de gelo e elevação do nível do mar preocupam cientistas

Cerca de 3% do excesso de energia climática está associado ao derretimento acelerado de gelo em todo o planeta. Em 2025, foram registradas perdas significativas de geleiras na Islândia e na costa do Pacífico da América do Norte, além de níveis mínimos históricos de gelo marinho no Ártico. Com o aquecimento contínuo dos oceanos e o derretimento progressivo das massas de gelo, o nível médio do mar já subiu aproximadamente 11 centímetros desde o início das medições por satélite em 1993.

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Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), esta tendência de elevação do nível do mar deve continuar por séculos, com impactos irreversíveis que incluem alterações na química das águas profundas e transformações permanentes nas zonas costeiras em todo o mundo.

Impactos na saúde humana e alertas das autoridades internacionais

O relatório da OMM também destaca os efeitos diretos das mudanças climáticas na saúde humana, incluindo aumento da mortalidade relacionada a eventos climáticos extremos, prejuízos significativos aos meios de subsistência de comunidades vulneráveis, maior risco de doenças transmitidas por vetores e pela água, além de problemas crescentes de saúde mental associados às transformações ambientais.

Em nota oficial, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a dependência contínua de combustíveis fósseis está agravando simultaneamente tanto a crise climática quanto a segurança global. Guterres alertou que o "caos climático está se acelerando" e que o planeta está sendo levado além dos seus limites físicos e ecológicos, com consequências que podem se estender por gerações.

O relatório Estado do Clima Global 2025 serve como um alerta urgente para a comunidade internacional, destacando a necessidade de ações imediatas e coordenadas para enfrentar os desafios climáticos que ameaçam não apenas o meio ambiente, mas também a estabilidade social, econômica e de saúde pública em escala planetária.