Rio Acre ultrapassa cota de alerta em Rio Branco após dois meses e atinge 13,75 metros
O nível do Rio Acre voltou a subir significativamente e ultrapassou, após dois meses, a cota de alerta estabelecida para a capital acreana, Rio Branco. Na medição realizada às 6h desta segunda-feira (30), o manancial registrou impressionantes 13,60 metros, marcando 10 centímetros acima da marca de alerta de 13,50 metros. A medição subsequente, feita às 9h, revelou uma elevação ainda maior, com o rio alcançando 13,75 metros, aproximando-se perigosamente da cota de transbordamento, fixada em 14 metros.
Histórico recente e causas da elevação
A última vez que o Rio Acre atingiu a cota de alerta foi no dia 29 de janeiro, quando marcou 13,64 metros. O manancial havia retornado à cota de atenção em 9 de março, permanecendo acima dos 10 metros durante 12 dias antes de apresentar uma vazante. Desde então, o nível oscilava entre 8 e 9 metros, até a súbita elevação registrada nesta segunda-feira.
O aumento do nível do rio está diretamente relacionado às fortes chuvas que atingiram a capital Rio Branco nos últimos dias. Segundo dados da Defesa Civil de Rio Branco, choveu quase 50 milímetros entre a última sexta-feira (27) e o sábado (28). O esperado para todo o mês de março era de 276 milímetros, mas, até o último sábado (28), já haviam sido registrados 362 milímetros na capital, superando significativamente a média histórica.
Previsões e impacto do fenômeno El Niño
De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, a expectativa é que no começo do mês de abril o rio comece a reduzir o seu nível, devido ao retorno do fenômeno El Niño, que volta a ter efeito após dois anos estagnado. "A partir de abril, a previsão é que as chuvas comecem a ficar cada vez menores e, nos meses seguintes, a gente entre na estiagem. Estamos entrando no fenômeno El Niño, que deixa as chuvas irregulares aqui na nossa região", afirmou o coordenador.
Falcão destacou que a última vez que o El Niño atuou no Acre foi em 2024, época em que o estado sofreu com uma seca severa e queimadas. Por isso, o órgão já vem trabalhando em ações de prevenção para o período de estiagem que se aproxima. "A previsão é que o fenômeno El Niño atue até o início de 2027. Começa agora em abril e deve certamente permanecer ao longo de todo o ano de 2026", concluiu.
Segundo a agência climática americana NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica), a previsão é de 62% de chance de o El Niño se configurar entre junho e agosto e se manter pelo menos até o final do ano. As probabilidades aumentam para 72% no trimestre julho-agosto-setembro, chegando a 80% em agosto-setembro-outubro, e atingindo 83% entre outubro e dezembro, conforme os modelos oficiais da agência.
Histórico de cheias em 2026
Apenas nos primeiros três meses de 2026, o Rio Acre já transbordou duas vezes, afetando milhares de moradores em Rio Branco. A primeira ocorreu em 16 de janeiro, quando marcou 14,01 metros às 15h. A segunda vez foi em 29 de janeiro, ocasião em que chegou a 14 metros. Após oito dias consecutivos de transbordamento, o manancial começou a baixar no dia 24 de janeiro, mas voltou a subir poucos dias depois.
No dia 3 de fevereiro, após quase uma semana em transbordamento, o rio começou a vazar. Neste período, o maior nível registrado foi de 15,44 metros na medição das 9h do dia anterior, afetando mais de 12 mil pessoas direta e indiretamente na capital. O manamental entrou na casa dos 10 metros no dia 7 de fevereiro, quando marcou 10,93 metros, e continuou em queda ao longo do dia.
No dia 9 de fevereiro, depois de quase um mês acima da cota de atenção, o nível do Rio Acre baixou e as famílias abrigadas no Parque de Exposições Wildy Viana começaram a retornar para casa. Ao todo, 39 famílias, somando 115 pessoas e 26 animais, estavam no parque naquela época. A capital acreana fechou o mês de fevereiro com volume de chuvas abaixo da média, registrando 114,4 milímetros, equivalente a apenas 38,1% do esperado para o mês, que era de 300,1 mm.



