Queda drástica nos investimentos contra chuvas em Minas Gerais
Os investimentos do governo de Minas Gerais em ações relacionadas aos impactos das chuvas sofreram uma redução superior a 95% entre os anos de 2023 e 2025, conforme revelam dados do Portal da Transparência estadual analisados pelo jornal O Globo e confirmados pelo g1. Esta significativa diminuição ocorre justamente quando a Zona da Mata mineira enfrenta uma das maiores tragédias climáticas de sua história recente.
Programa de combate às chuvas perde recursos
O programa “Suporte às ações de combate e resposta aos danos causados pelas chuvas”, que reúne diferentes iniciativas de prevenção, atendimento e recuperação, apresentou uma queda alarmante em seus valores pagos. Em 2023, o programa registrou aproximadamente R$ 135 milhões em desembolsos, enquanto em 2025 esse montante caiu para cerca de R$ 6 milhões, representando uma redução de cerca de 96% no período.
Os números oficiais detalham essa retração:
- 2023: R$ 134.829.787,08 em valores pagos
- 2024: R$ 41.113.405,70 em valores pagos
- 2025: R$ 5.875.482,42 em valores pagos
Estrutura orçamentária amplamente afetada
O programa é executado por diferentes órgãos do governo mineiro, envolvendo:
- Gabinete Militar do Governador (responsável pela Defesa Civil estadual)
- Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem (DER)
- Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais
- Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam)
Além da retração no programa amplo, ações específicas que integram essa mesma estrutura orçamentária também tiveram redução expressiva. As verbas destinadas a gestão de desastres e mitigação de danos causados pelas chuvas recuaram de R$ 133,7 milhões em 2023 para apenas R$ 75,7 mil em 2025, o que representa uma queda próxima de 99% no intervalo.
Tragédia climática na Zona da Mata
A análise sobre a redução dos investimentos ganha contornos ainda mais dramáticos diante da situação atual. Entre os dias 23 e 25 de dezembro, um temporal intenso atingiu as cidades de Juiz de Fora e Ubá, deixando ao menos 37 mortos e provocando uma das maiores tragédias climáticas da história recente da região.
Enquanto os bombeiros seguem nas buscas por vítimas desaparecidas em Juiz de Fora, os dados revelam que justamente no período em que mais se necessitaria de recursos para prevenção e resposta a desastres climáticos, os investimentos governamentais sofreram cortes drásticos.
O g1 procurou o Governo de Minas Gerais para um posicionamento sobre a redução nos investimentos, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. A ausência de resposta oficial deixa em aberto questionamentos sobre as prioridades orçamentárias do estado em um momento de emergência climática.



