Pesquisadores da USP Piracicaba avançam em xenotransplantes com clones suínos
USP Piracicaba avança em xenotransplantes com clones suínos

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba estão dando passos significativos rumo à utilização de órgãos suínos para transplantes em seres humanos. Esse avanço ocorre após o êxito da primeira clonagem de um porco no Brasil, realizada no Instituto de Zootecnia da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (IZ/APTA), localizado na mesma cidade.

Novos clones em gestação

Um ultrassom recentemente apresentado à EPTV, afiliada da Rede Globo, revelou que uma porca está grávida de pelo menos três filhotes clonados. O animal está sendo cuidadosamente monitorado no IZ/APTA, com expectativas altas para o sucesso da gestação. "A gente espera que eles venham até o fim da gestação", afirma o médico veterinário Fernando Whitehead, responsável pelo acompanhamento da porca.

Objetivo: salvar vidas humanas

A clonagem representa um marco crucial para o projeto, cujo objetivo final é possibilitar xenotransplantes – a transferência de órgãos entre espécies diferentes. Isso visa enfrentar a grave escassez de doadores no Brasil, onde, segundo o Ministério da Saúde, mais de 48.576 pessoas aguardam por transplantes. "Muitos pacientes morrem enquanto não tem um órgão disponível para eles", lamenta o professor Silvano Raia, líder das pesquisas iniciadas na década de 1960.

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Próximas etapas e modificações genéticas

O próximo passo envolve a criação de porcos geneticamente modificados, cujos órgãos possam ser compatíveis com humanos. A pesquisadora científica Simone Raimundo de Oliveira projeta: "É um futuro próximo. Espero que, até o final deste ano de 2026, a gente já esteja produzindo o suíno clone geneticamente modificado. Mas, após isso, precisarão ter testes clínicos e a gente evoluir essa tecnologia".

Cuidados especiais com os animais

Os porcos envolvidos na pesquisa são mantidos em baias de criação com protocolos rigorosos. Enilson Ribeiro, diretor do Instituto de Zootecnia, explica que os cuidados exigem uma mobilização multidisciplinar: "Os animais têm de ser criados em condições totalmente diferentes do que a gente fazia antes. Antes, a gente queria produção. Hoje, não. Hoje, a gente quer órgãos saudáveis".

Além disso, os especialistas mantêm vigilância constante para prevenir infecções. Ernesto Goulart, geneticista e pesquisador principal, ressalta: "A gente precisa monitorar que esses animais não estão sendo infectados com nenhum patógeno, nenhum vírus, nenhuma bactéria que possa potencialmente passar do órgão e do tecido desse animal para o receptor humano".

Esses esforços combinados destacam o potencial revolucionário da pesquisa, que pode transformar o cenário dos transplantes no Brasil e no mundo, oferecendo esperança a milhares de pacientes em lista de espera.

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