UFLA pesquisa cacau mineiro para aprimorar qualidade e identidade do chocolate
UFLA estuda cacau mineiro para melhorar chocolate

UFLA aprofunda estudos sobre cacau mineiro para elevar padrão do chocolate

Pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) estão conduzindo um estudo minucioso sobre o cacau cultivado em Minas Gerais, com ênfase na região norte do estado, onde a cultura dessa fruta tem se expandido significativamente nos últimos anos. O objetivo principal é compreender a matéria-prima desde sua origem, refinando processos cruciais como fermentação e torra, para assim produzir chocolates que não apenas apresentem maior qualidade, mas também uma identidade regional marcante.

Expansão do cacau além das fronteiras tradicionais

Tradicionalmente associado às regiões Norte e Nordeste do Brasil, o cacau tem encontrado um novo lar em Minas Gerais, onde produtores estão investindo na cultura e buscando se diferenciar no mercado. Para os especialistas da UFLA, entender profundamente a matéria-prima é essencial para transformar essa expansão em produtos de alto valor agregado. O cacau, em sua forma natural, é caracterizado por sabores amargos, intensos e ácidos, enquanto o sabor mais familiar ao consumidor, mais doce, equilibrado e aromático, resulta de processos como fermentação, secagem, torra e a adição de açúcar.

Segundo a pesquisadora Rosane Freitas Schwan, uma referência internacional em fermentações, o sabor autêntico do cacau ainda é pouco conhecido pelo público brasileiro. "O sabor de cacau no chocolate é uma novidade. A maioria dos produtos disponíveis no mercado são achocolatados, com uma pequena porção de cacau, e não possuem esse sabor forte, agradável e frutado que é o aroma verdadeiro do cacau", explica ela. Rosane lidera uma equipe que analisa o fruto desde a origem, um trabalho iniciado há cerca de cinco anos durante uma visita à Universidade de Montes Claros (Unimontes), onde observou o crescimento da cultura do cacau no Norte de Minas, fenômeno similar ao visto em estados como Bahia, Rondônia, Pará e Espírito Santo.

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Benefícios para a saúde e a sociedade

A pesquisa envolve visitas a fazendas, treinamento de produtores e acompanhamento de processos pós-colheita. Rosane destaca que a sociedade se beneficia com produtos de melhor qualidade, mencionando que chocolates com mais de 70% de cacau são recomendados para a saúde cardíaca devido à alta concentração de antioxidantes e são indicados até para gestantes. Atualmente, todo o cacau utilizado nos estudos provém do Norte de Minas, uma região que busca estabelecer uma identidade própria para seu chocolate.

Rumo a um chocolate com "terroir" mineiro

O professor Victor Maia, pesquisador da Unimontes, explica que os estudos indicam a formação de características únicas no cacau produzido no estado. "Existe uma tendência para que chocolates dessas regiões desenvolvam uma característica própria, um 'terroir'. Investigar processos genéticos, condições de campo, fermentação e secagem permitirá criar um protocolo para produção de chocolate de alta qualidade, com um sabor específico de Minas", afirma. O trabalho também atrai pesquisadores estrangeiros, como a colombiana Leidy Machado Cuellar, doutoranda na UFLA, que ressalta que a qualidade superior da amêndoa reduz a necessidade de aditivos na indústria, melhorando tanto o produto quanto a saúde do consumidor.

Metodologia e objetivos futuros

No laboratório da UFLA, o cacau passa por uma série de análises:

  • Análises químicas: identificam se o aroma é mais frutado, amargo ou ácido.
  • Análises sensoriais: especialistas provam o chocolate para verificar se o resultado corresponde ao planejado.
  • Produção em pequena escala: equipamentos transformam a amêndoa torrada em chocolate líquido.

A pesquisadora Rosane enfatiza que o objetivo final é transferir o conhecimento gerado para o campo e a indústria. "Buscamos desenvolver tecnologias e processos, alguns até patenteáveis, e divulgá-los para produtores e indústrias, para que possam reproduzir e oferecer produtos de alta qualidade", conclui, visando um futuro onde o chocolate mineiro se destaque por sua excelência e singularidade.

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