Cerimônia em Brasília reconhece jovens talentos científicos
A capital federal foi palco, nesta quinta-feira (26), da solenidade de entrega da 31ª edição do Prêmio Jovem Cientista, realizada no SESI-Lab. O evento reuniu estudantes, pesquisadores e autoridades para celebrar as contribuições científicas que oferecem respostas concretas às urgentes questões climáticas que afetam o planeta.
Integração entre ciência e cultura brasileira
João Alegria, secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, enfatizou durante a cerimônia a singularidade da produção científica nacional. "Existe um jeito brasileiro de fazer ciência. Quando associamos método científico ao conhecimento tradicional, aos saberes das comunidades, damos passos à frente e conquistamos inovações", declarou. Ele destacou que os projetos premiados articulam de forma harmoniosa ciência, cultura, território e ancestralidade.
Números expressivos e premiação significativa
Organizado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com a Fundação Roberto Marinho, o prêmio recebeu impressionantes 919 inscrições em 2025. Dos participantes, foram selecionados 10 pesquisadores individuais e duas instituições para receberem reconhecimento. A premiação incluiu:
- Bolsas de estudo para continuidade das pesquisas
- Notebooks para desenvolvimento dos trabalhos
- Valores em dinheiro que variaram entre R$ 12 mil e R$ 40 mil
Projetos vencedores por categoria
Categoria Estudante do Ensino Médio:
- Raul Victor Magalhães Souza (16 anos, Ceará): Alcançou 94,5% de precisão em previsões climáticas no Ceará ao combinar inteligência artificial com os saberes dos "profetas das chuvas".
- Beatriz Vitória da Silva (18 anos, Pernambuco): Desenvolveu um filtro sustentável à base de cascas de fruta-do-conde que reduz consumo de água e poluentes na produção de casas de farinha.
- Gabriel da Silva Santos (19 anos, Pernambuco): Criou sistema inovador para monitorar o crescimento de plantas de girassol ornamental no agreste pernambucano.
Categoria Estudante do Ensino Superior:
- Manuelle da Costa Pereira (23 anos, Amapá): Primeira vencedora do estado, a estudante de engenharia florestal desenvolveu um kit de energia solar portátil para castanheiros na Floresta Amazônica.
- Isac Diógenes Bezerra (22 anos, Ceará): Estudante de tecnologia em redes de computadores criou sistema de monitoramento em tempo real do consumo de água utilizando Internet das Coisas.
- Anna Giullia Toledo Hosken (21 anos, Rio de Janeiro): Estudante de medicina integrou dados clínicos com mapas de riscos, aumentando a eficácia de ações preventivas contra catástrofes climáticas em Petrópolis.
Categoria Mestre e Doutor:
- Elizângela Aparecida dos Santos (32 anos, Minas Gerais): Doutora em economia aplicada criou índice para identificar municípios brasileiros mais resilientes às mudanças climáticas.
- Luíz Fernando Esser (33 anos, Paraná): Biólogo e pós-doutorando desenvolveu algoritmo para tornar mais acessível a utilização de métodos de alta precisão em projeções climáticas.
- Tauany Aparecida da Silva Santa Rosa Rodrigues (31 anos, Rio de Janeiro): Bióloga criou sistema automatizado que mensura o impacto das alterações térmicas em ecossistemas aquáticos continentais.
Distribuição regional e outras premiações
Entre os vencedores individuais, um é da região Norte e quatro são da região Nordeste, demonstrando a diversidade geográfica da produção científica nacional. As inscrições foram distribuídas em 352 trabalhos na categoria de Mestre e Doutor, 211 na categoria de Estudante do Ensino Superior e 356 na categoria do ensino médio.
Além dos prêmios principais, foram reconhecidos:
- Mérito Científico: Professora Ana Paula Melo do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
- Mérito Institucional Ensino Superior: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
- Mérito Institucional Ensino Médio: Escola Técnica Estadual Professor Paulo Freire, de Pernambuco
Iniciativa consolidada na ciência brasileira
O Prêmio Jovem Cientista consolida-se como uma das mais importantes iniciativas de incentivo à pesquisa científica no Brasil. Com patrocínio master da Shell e apoio da Editora Globo e Canal Futura, o programa continua a fomentar soluções inovadoras para os desafios ambientais contemporâneos, especialmente aqueles relacionados às mudanças climáticas que afetam todo o planeta.



