Pesquisadora da polilaminina admite erros e promete nova versão do estudo
Pesquisadora admite erros em estudo da polilaminina

Pesquisadora reconhece falhas em estudo da polilaminina e prepara nova versão

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira (11), a concessão de três honrarias à pesquisadora Tatiana Sampaio, responsável pelo estudo que investiga a polilaminina como possível tratamento para lesões na medula espinhal. A decisão ocorre justamente quando a cientista admitiu publicamente que o artigo com os primeiros testes em humanos precisa passar por correções significativas.

Honrarias concedidas apesar de controvérsias

Os vereadores paulistanos consideraram que as contribuições científicas de Tatiana Sampaio justificam plenamente a entrega da Medalha Anchieta, do Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo e do Título de Cidadã Paulistana. Em divulgação oficial, a Câmara destacou que os estudos da pesquisadora apresentam resultados promissores e que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou em janeiro a fase 1 de estudos clínicos sobre a segurança da substância.

A cerimônia para entrega das honrarias ainda não foi marcada, mas a votação unânime demonstra o reconhecimento institucional ao trabalho desenvolvido ao longo de duas décadas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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Admissão de erros e necessidade de revisão

Em entrevista ao g1, Tatiana Sampaio afirmou que o artigo divulgado em pré-print em fevereiro de 2024 precisará passar por correções técnicas, ajustes na apresentação dos dados e mudanças na forma como os resultados foram descritos. "Esse pré-print eu coloquei assim no momento. Eu pensei: ‘Isso aí não vai dar ibope, vou deixar lá só para registrar que a gente fez isso em algum momento, por questões de autoria’. Mas ele não estava bem escrito", reconheceu a pesquisadora.

O estudo ganhou destaque nacional quando a cientista passou a dar entrevistas ao lado do paciente Bruno Drummond, que teve lesão medular e voltou a andar. A pesquisa busca comprovar se a aplicação da polilaminina na medula lesionada pode estimular a regeneração de conexões nervosas.

Críticas da comunidade científica

A divulgação do trabalho gerou grande repercussão nas redes sociais e também críticas de especialistas. Pesquisadores questionaram diversos pontos, incluindo:

  • Inconsistências na apresentação de alguns dados
  • Interpretação de eficácia do tratamento sem isolar o efeito da substância de outras intervenções como cirurgia e fisioterapia intensiva
  • Um caso específico onde um paciente que morreu poucos dias após o procedimento aparecia nos dados com melhoras registradas após cerca de 400 dias de tratamento

Tatiana confirmou que este último ponto foi um erro que será corrigido na nova versão do artigo.

Tentativas de publicação e investimentos

A primeira versão corrigida do texto já foi apresentada a duas revistas científicas de prestígio: Nature Communications e Journal of Neurosurgery. No entanto, o trabalho foi rejeitado por ambos os periódicos. A pesquisadora agora trabalha em uma nova versão na tentativa de publicá-lo em uma revista científica.

Os resultados promissores atraíram a atenção da farmacêutica Cristália, que já investiu R$ 100 milhões na pesquisa para que a polilaminina possa ser transformada em medicamento. O estudo inclui a fase experimental em oito pacientes humanos que começou em 2018, após pesquisas anteriores que avaliaram a ação da molécula em cães.

O que será alterado no artigo

Segundo Tatiana Sampaio, as mudanças incluem:

  1. Correções técnicas específicas
  2. Ajustes na apresentação dos dados coletados
  3. Novas explicações sobre os resultados obtidos
  4. Revisão da forma como as conclusões são apresentadas

A pesquisadora enfatiza que as alterações não modificam os dados já apresentados nem as conclusões fundamentais da pesquisa – ela segue acreditando na eficácia da polilaminina. No entanto, a nova versão não será divulgada publicamente antes de ser aceita por uma revista científica, seguindo os protocolos acadêmicos estabelecidos.

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Tatiana nega que as mudanças estejam sendo feitas em resposta direta às críticas recebidas, mas sim como parte do processo natural de refinamento científico. O episódio ilustra os desafios e controvérsias que frequentemente acompanham pesquisas médicas inovadoras, especialmente quando envolvem tratamentos para condições complexas como lesões medulares.