Mulheres do interior paulista protagonizam avanços na ciência e tecnologia
Uma reportagem especial revela como mulheres de Itapetininga e Tatuí, no interior de São Paulo, estão fazendo a diferença no cenário científico e tecnológico brasileiro. Pesquisas inovadoras, desenvolvimento de aplicativos, programação e robótica são apenas algumas das áreas onde elas vêm se destacando em institutos educacionais da região.
Crescimento da participação feminina na ciência
Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a participação das mulheres na ciência brasileira apresentou crescimento significativo nas últimas décadas. Atualmente, elas representam 52% dos pesquisadores no país, um aumento considerável em relação aos 44% registrados nos anos 2000. As cientistas entrevistadas expressam otimismo quanto à continuidade dessa trajetória ascendente.
Trajetória de uma pesquisadora dedicada
Há mais de uma década, a pesquisadora Jéssica Britto dedica seus dias ao estudo de plantas e ao desenvolvimento de projetos científicos. Com graduação em biotecnologia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), mestrado e doutorado em genética e bioquímica, ela se mudou para Itapetininga há aproximadamente três anos.
"Eu vejo mulheres fortes, empoderadas e que têm grande conhecimento. Uma mulher vai apoiando a outra. A gente tem olhares e nuances, percepções muito detalhistas que vêm ajudando bastante nessa parte de inovação e pesquisa", afirma Jéssica, que atualmente trabalha em uma empresa de tecnologia ambiental onde as mulheres ocupam 75% do quadro de funcionários.
Projeto incentiva garotas na tecnologia
Pensando em como contribuir para a inclusão feminina no setor tecnológico, a professora Eline Welter, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) em Itapetininga, criou o projeto "GAT" - Garotas de TI de Itapetininga. Há mais de um ano, ela reúne alunas para desenvolver projetos inovadores na área de tecnologia da informação.
"Eu fico muito emocionada em ver as meninas participando, querendo aprender mais sobre tecnologia. Para mim, quando eu tinha a idade delas, foi muito difícil entrar na área de informática. Estou tentando facilitar um pouquinho o caminho para elas chegarem até aqui", comenta a professora.
Aplicativos desenvolvidos por jovens estudantes
Entre os projetos desenvolvidos no GAT, destaca-se o aplicativo criado pela estudante Júlia Tavares de Queiroz, de 15 anos, voltado para auxiliar mulheres vítimas de violência doméstica. A ferramenta contém informações sobre direitos, formas de pedir ajuda e conexão com ONGs e unidades policiais.
"Pensei num cenário onde a mulher em situação de violência não fique tão exposta. O aplicativo mostra todas as leis com linguagem objetiva e simples, tem um botão de emergência que localiza a usuária, chama a polícia mais próxima e direciona para sua residência", explica Júlia.
Outro grupo do projeto desenvolveu um aplicativo que orienta sobre o descarte correto de lixo eletrônico. Conforme a estudante Rebecca Rosa, de 16 anos, para cada descarte adequado, a pessoa acumula pontos que podem ser trocados por produtos.
"Celulares, pilhas têm componentes que não podem ser jogados em qualquer lixo. Com o aplicativo, as pessoas podem ter mais consciência sobre onde descartar corretamente", afirma Rebecca.
Robótica como ferramenta de transformação
Em Tatuí, a professora Taiane Vaccas Domingues uniu ciência, programação e robótica em uma única disciplina, criando um ambiente propício para o desenvolvimento de talentos femininos.
"Quando pensamos sobre mulheres na ciência, isso começa no ambiente escolar. Elas não estão sendo só usuárias da tecnologia, estão se vendo como engenheiras, como pesquisadoras", destaca Taiane.
O resultado desse trabalho já é visível: as alunas começaram a construir seus primeiros robôs. Para Ana Clara Hanf, de 16 anos, o projeto se transformou em um sonho profissional. Por causa das aulas, a jovem desenvolveu paixão pela tecnologia e planeja se graduar em engenharia da computação ou ciência da computação.
"Desde o sétimo ano participo de competições junto com as aulas de programação e robótica. Foi através delas que comecei a programar, a construir. Isso gerou uma paixão muito grande dentro de mim, que influenciou minha escolha de curso e o que quero ser quando crescer", compartilha Ana Clara.
Essas histórias ilustram como mulheres do interior paulista estão não apenas ocupando espaços na ciência e tecnologia, mas também criando soluções inovadoras que impactam positivamente suas comunidades e inspiram futuras gerações de pesquisadoras e tecnólogas.



