Arqueólogos em Pompeia, na Itália, alcançaram um marco histórico ao utilizar pela primeira vez a inteligência artificial (IA) para reconstruir a aparência de uma das vítimas da erupção vulcânica que devastou a antiga cidade romana há quase dois milênios. A imagem gerada por IA, divulgada pelo Parque Arqueológico de Pompeia nesta segunda-feira (27), retrata um homem que se protege enquanto segura uma grande tigela sobre a cabeça, com o Monte Vesúvio em chamas ao fundo.
Descoberta e contexto histórico
A reconstrução baseia-se na recente descoberta dos restos mortais de um adulto do sexo masculino, encontrados do lado de fora de um dos portões do sul da cidade. Ao lado do esqueleto, os arqueólogos encontraram uma argamassa de terracota, que ele presumivelmente usava como proteção contra a chuva de pedras vulcânicas. Os especialistas acreditam que o homem foi morto nas primeiras horas do segundo dia da erupção, enquanto tentava escapar em direção ao mar. Além da argamassa, ele carregava uma lamparina e 10 moedas de bronze, conforme informações do parque.
Declarações dos responsáveis
Gabriel Zuchtriegel, diretor do Parque Arqueológico de Pompeia, destacou em comunicado: "Se bem utilizada, a inteligência artificial pode contribuir para uma renovação dos estudos clássicos, ilustrando o mundo clássico de uma forma mais imersiva." A declaração reforça o potencial da tecnologia para trazer novas perspectivas à arqueologia.
Pompeia: um sítio arqueológico de importância global
A outrora próspera cidade de Pompeia, situada cerca de 25 quilômetros a sudeste de Nápoles, foi soterrada pela erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C. As cinzas vulcânicas preservaram edifícios, objetos e até grafites por séculos. Redescoberta no século 18, Pompeia é hoje um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo e um dos destinos turísticos mais populares da Itália, atraindo 4,3 milhões de visitantes em 2024, segundo estatísticas recentes.
O uso inovador da IA não apenas oferece uma visão mais humana das vítimas da tragédia, mas também abre caminho para novas abordagens no estudo do mundo antigo, combinando tecnologia de ponta com a rica história de Pompeia.



