Os Doze Apóstolos, um dos cartões-postais mais fotografados do mundo, atraem milhões de visitantes anualmente na costa sul da Austrália, a 275 quilômetros de Melbourne. Até recentemente, ninguém havia explicado com precisão como essas torres de calcário, que emergem do Oceano Antártico, foram formadas. Um estudo da Universidade de Melbourne, publicado no Australian Journal of Earth Sciences, finalmente responde a essa pergunta e traz uma surpresa: as formações são mais jovens do que a ciência acreditava.
Camadas que contam a história
A resposta estava escondida nas próprias rochas, em camadas sobrepostas como as de uma cebola, cada uma guardando informações sobre o clima, os oceanos e a atividade geológica de épocas remotas. Segundo Stephen Gallagher, professor associado da Escola de Geografia, Ciências da Terra e Atmosféricas da Universidade de Melbourne e autor do estudo, as medições revelaram mudanças ambientais e climáticas que não são perceptíveis a olho nu. "Uma coisa surpreendente para nós foi que, mesmo que algumas camadas pareçam exatamente iguais no campo, elas são na verdade diferentes", afirmou ao g1.
Cápsula do tempo ambiental
Gallagher explica que a descoberta funciona como uma cápsula do tempo ambiental. Cada camada dessas estruturas gigantes preservou informações sobre o clima da Terra, a atividade tectônica, as plantas e os animais ao longo de milhões de anos, incluindo um momento-chave há cerca de 13,8 milhões de anos, quando o clima era muito mais quente do que hoje.
Processo geológico detalhado
Os pesquisadores descobriram que o processo começou muito antes da erosão conhecida. Durante milhões de anos, o movimento de placas tectônicas empurrou e inclinou essas estruturas de calcário para fora do mar, uma força geológica lenta e invisível que preparou o terreno. Só então, nos últimos milhares de anos, após o fim da última Era do Gelo, as ondas e os ventos do Oceano Antártico esculpiram os pilares que hoje se veem da costa.
Idade corrigida
O estudo também corrigiu o que se sabia sobre a idade das formações. Pesquisas anteriores estimavam que as camadas de calcário tinham entre 7 e 15 milhões de anos, uma margem ampla baseada em dados preliminares. Ao analisar fósseis microscópicos encontrados nas rochas, a equipe conseguiu datar as camadas com muito mais precisão: entre 8,6 e 14 milhões de anos. Portanto, as formações são menos antigas do que se supunha.
Marcas de movimentos tectônicos
Os movimentos tectônicos também deixaram marcas visíveis. As camadas de calcário nas falésias ao redor dos Doze Apóstolos não são horizontais, mas levemente inclinadas, resultado da força das placas que as empurrou e torceu ao longo de eras. Pequenas falhas geológicas também podem ser vistas nas rochas, registros silenciosos de terremotos antigos. "Se você olhar com atenção para as falésias ao redor dos Doze Apóstolos hoje, pode ver que as camadas de calcário não são planas, mas estão, na verdade, inclinadas alguns graus", disse Gallagher.
Urgência prática
A pesquisa também tem uma urgência prática. Dos doze que deram nome ao lugar — número que nunca foi exato; havia nove pilares originais —, restam hoje apenas oito. Um desabou em 2005, outro em 2009. A erosão continua, à razão de cerca de 2 centímetros por ano na base das estruturas. Entender como as camadas se formaram e o que cada uma registra é também uma forma de entender para onde vão o clima e o nível do mar no futuro. "Estamos usando essa 'janela para o passado' para entender para onde as temperaturas e os níveis do mar podem estar se encaminhando no caminho atual das mudanças climáticas. Com apenas oito dos doze Apóstolos restantes, precisamos estudá-los e aprender com eles enquanto ainda podemos", concluiu o pesquisador.



