Estudos genéticos em cães de Tchernóbil geram debate sobre radiação
Cães de Tchernóbil: radiação ou isolamento?

Cães de Tchernóbil: o que a genética revela?

Quarenta anos após o desastre nuclear de Tchernóbil, novas pesquisas sobre as diferenças genéticas dos cães da região reacenderam o debate científico sobre os reais efeitos da radiação. Estudos recentes identificaram alterações genéticas em cães que vivem perto da antiga usina na Ucrânia. A descoberta gerou divergências entre os pesquisadores sobre o verdadeiro papel da contaminação radioativa nessas mudanças.

Comunidade isolada de cães

Uma pesquisa publicada em 2023 revelou que os cães da usina formam uma comunidade isolada. O trabalho, publicado na revista Science Advances, mostrou que esses animais têm maior grau de parentesco e menor troca genética. Outro estudo do mesmo ano apontou adaptações no genoma ligadas ao reparo de DNA e imunidade. Os cientistas sugeriram influência da seleção natural, mas não comprovaram que a radiação causou as alterações.

Novo estudo descarta mutações por radiação

Um novo trabalho de 2024 concluiu que não houve aumento na taxa de mutações nesses animais. Publicado na revista PLOS One, o estudo analisou variantes genéticas e descartou anomalias cromossômicas pela contaminação. As diferenças genéticas estão mais associadas ao isolamento da população do que à radiação. Segundo os autores da pesquisa mais recente, a seleção natural sem interferência humana explica melhor as mudanças observadas.

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Reserva ambiental involuntária

A região abandonada por humanos se transformou em uma reserva ambiental involuntária. Nas últimas décadas, a área passou a abrigar lobos, cavalos, aves e centenas de cães descendentes de animais deixados na evacuação. Os cientistas concordam que Tchernóbil oferece uma oportunidade única de estudo. O local permite analisar os efeitos de longo prazo de ambientes contaminados sobre os animais ao longo de várias gerações.

Críticas à cobertura da mídia

A repercussão dos primeiros estudos gerou críticas dentro da comunidade científica. O professor de ciência ambiental Jim Smith publicou um artigo afirmando que a mídia exagerou ao sugerir mutações extremas por causa da radiação. O pesquisador argumenta que outros fatores explicam melhor as mudanças nos animais. Ele cita alimentação, doenças e isolamento. "A verdadeira história de Tchernóbil não é a presença da radiação, mas a ausência de humanos", diz Smith.

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