Vinte famílias que ainda estavam em abrigos públicos em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, já retornaram para suas casas. A ação de retirada dos moradores começou na terça-feira (5), com a Defesa Civil Municipal levando 45 famílias de volta para suas residências. A última medição divulgada pelo órgão mostra que o Rio Juruá registrou 13,11 metros na quinta-feira (7), acima da cota de transbordo, que é de 13 metros. Até a última atualização desta reportagem, o nível atual não foi publicado porque a plataforma usada para acompanhamento está instável.
Retorno organizado
A ação de volta para casa começou pelas escolas Madre Adelgundes Becker, no bairro Miritizal, e Marcelino Champagnat, no bairro João Alves. As famílias que estavam nas escolas Thaumaturgo de Azevedo, Terezinha de Jesus Saavedra, Rita de Cássia, Corazita Negreiros e Padre Arnold também já foram removidas e retornaram para suas residências.
A escola Madre Adelgundes Becker, no bairro Miritizal, abrigava 29 famílias indígenas que moram na periferia de Cruzeiro do Sul. Elas foram as primeiras a retornar para suas residências. Conforme a prefeitura de Cruzeiro do Sul, as famílias receberam cesta básica, kit de limpeza e colchão. Além disso, a gestão também está mantendo o fornecimento de água mineral para os moradores que permanecem em áreas que foram atingidas pela enchente.
Cheia histórica
O pico da cheia foi registrado na última sexta-feira (1º), quando o manancial atingiu 14,19 metros e superou pela segunda vez, em menos de um mês, a marca histórica de 14,15 metros. Na ocasião, o nível se manteve estável por dois dias. A cheia atingiu 7.087 famílias, em 12 bairros, 15 comunidades rurais, 4 vilas e mais de 28 mil pessoas foram afetadas. Conforme o monitoramento da Defesa Civil Municipal, as maiores inundações registradas em Cruzeiro do Sul ocorreram em 2017 (14,24 metros), em 2021 (14,36 metros) e em 2026. O Rio Juruá está em vazante desde o último sábado (2), quando marcou 14,17 metros na medição das 18h.
Histórico recente
Há quase um mês, no dia 8 de abril, famílias que haviam sido retiradas de casa por conta da quarta cheia começaram a retornar após a vazante do Rio Juruá. O pico daquele primeiro momento foi registrado no dia 4 de abril, quando o manancial atingiu 14,15 metros e afetou mais de 28 mil pessoas. No entanto, pouco mais de duas semanas depois, no dia 26 de abril, o rio voltou a subir e atingiu o quinto transbordamento, forçando novamente a retirada de moradores de áreas alagadas e a reabertura de abrigos no município dois dias depois.
Devido às cheias de rios em várias regionais do estado, o governo do Acre decretou situação de emergência em seis municípios. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE) no dia 5 de abril e reconhecida pelo governo federal uma semana depois.



