Curiosidades dos nomes de cidades do Tocantins: Ananás, Pugmil e Lagoa da Confusão
O nome de um município frequentemente carrega consigo uma rica história, refletindo as origens, os primeiros habitantes e as características únicas da região. No estado do Tocantins, algumas localidades se destacam justamente por possuírem denominações peculiares, cujas origens são envoltas em narrativas que atravessam gerações. Embora possam existir versões divergentes sobre a escolha desses nomes, cada um deles marca profundamente o processo de ocupação, emancipação e construção da identidade local.
O g1 Tocantins entrevistou representantes de três cidades com nomes que despertam curiosidade: Ananás, Pugmil e Lagoa da Confusão. As histórias revelam como elementos naturais, equipamentos industriais e desafios geográficos se tornaram parte integrante da memória coletiva desses municípios.
Fruto silvestre deu origem ao nome da cidade no norte do Tocantins
Em Ananás, localizada no norte do Tocantins, a origem do nome está intrinsecamente ligada às características naturais da região e aos primórdios da ocupação humana. O município possui uma população estimada em 10.325 habitantes, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o secretário de Administração do município, Acilon Rodrigues de Oliveira, os primeiros registros históricos remontam ao início do século XX. Em entrevista ao g1, ele relatou que, por volta de 1903, a família de José Honorato da Cruz se estabeleceu na área. No local, teria sido identificada uma abundância de um fruto silvestre conhecido como ananás, semelhante ao abacaxi, que crescia de forma espontânea.
“Por causa dessa abundância, ele deu à propriedade o nome de Fazenda Ananás. Assim, o nome da cidade preserva uma ligação direta com a natureza da região e com a história de seus primeiros habitantes. Por isso temos um abacaxi enorme bem no meio da principal praça da cidade”, explicou Acilon Rodrigues de Oliveira.
Essa conexão com a flora local é tão significativa que um abacaxi gigante foi instalado na praça principal, servindo como um símbolo permanente da identidade municipal.
Máquina usada em obras deu nome ao município às margens da BR-153
Pugmil, com aproximadamente 2.776 habitantes segundo o IBGE em 2020, tem um nome que surgiu de um equipamento utilizado durante o povoamento inicial da região. A vereadora Elizete Batista Viana explicou que registros históricos indicam que a denominação se originou de uma máquina estrangeira empregada para moer cascalho, muito utilizada entre 1971 e 1973 em obras de movimentação de terra.
“Essa máquina era bastante presente no acampamento de trabalhadores formado durante a construção da rodovia BR-153. Por marcar o cotidiano dos operários, o termo ‘Pugmil’ passou a ser usado informalmente para identificar o local”, afirmou a vereadora.
Com o crescimento do povoado, o nome se consolidou. Quando o distrito foi elevado à condição de município em 1994, a denominação foi mantida oficialmente, preservando assim a referência à origem do surgimento da cidade. Elizete Batista Viana destacou ainda que, embora Pugmil seja um município de pequeno porte, iniciativas culturais como as comemorações de aniversário, que incluem programação cultural e shows regionais, ajudam a valorizar a identidade local e a preservar a memória histórica.
“A origem do nome Pugmil pode impulsionar o desenvolvimento local ao fortalecer a identidade comunitária, estimular o turismo e gerar valor cultural e econômico para o município”, concluiu a vereadora.
Território de difícil acesso inspirou o nome do município
Em Lagoa da Confusão, no sudoeste tocantinense, o nome chama a atenção de quem passa pela rodovia e desperta a curiosidade de visitantes. A origem está ligada às dificuldades geográficas da região, às histórias dos pioneiros e às narrativas populares que atravessam gerações, conforme explicou Wesley Cavalcante, do setor de Relações Institucionais da prefeitura. A estimativa da população em 2024 é de cerca de 16 mil habitantes.
De acordo com Wesley, a denominação remonta às primeiras décadas do século XX, período da ocupação inicial da área. Ele explicou que as primeiras famílias encontraram um território de difícil acesso, marcado por áreas alagadas, brejos, serras e caminhos pouco definidos.
“A confusão entre rios, lagoas e trechos pantanosos levou moradores e viajantes a se referirem ao local como ‘Lagoa da Confusão’, expressão que, com o tempo, foi incorporada ao povoado e depois oficializada como nome do município”, relatou.
Segundo ele, entre registros históricos e lendas locais, o município transformou o que antes era sinônimo de dificuldade de acesso em um elemento ressignificado pela população, preservado na memória coletiva e transmitido entre gerações.
Entre história e lendas, cidade preserva memória e identidade cultural
Além da versão histórica, Lagoa da Confusão preserva narrativas populares que ajudam a alimentar o imaginário local. Na cidade, circulam relatos sobre elementos considerados misteriosos na lagoa, como formações rochosas e pontos específicos que parecem mudar de posição conforme o ângulo de observação.
Wesley Cavalcante explicou que esses “causos” são contados em rodas de conversa, encontros familiares e eventos comunitários, mantendo viva uma memória que não está apenas nos livros, mas também no cotidiano da população. A prefeitura e as secretarias municipais, especialmente nas áreas de Educação, Turismo e Cultura, desenvolvem ações culturais e cívicas em datas comemorativas e projetos voltados à valorização do patrimônio natural e das tradições ligadas à lagoa.
“Essas ações contribuem para que a origem do nome vá além da curiosidade e se consolide como elemento educativo e cultural”, afirmou Wesley.
As histórias de Ananás, Pugmil e Lagoa da Confusão ilustram como os nomes das cidades do Tocantins são mais do que simples identificações geográficas; eles são testemunhas vivas da história, da cultura e da identidade de cada comunidade, enriquecendo o patrimônio cultural do estado.