Na semana do Dia das Mães, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou um levantamento que revela transformações profundas no perfil da maternidade na Bahia. As mulheres baianas estão se tornando mães mais tarde e tendo menos filhos, o que tem provocado uma redução contínua da fecundidade no estado. Os dados, divulgados nesta terça-feira (5), são do Censo Demográfico de 2022.
Proporção de mães na Bahia
Em 2022, a Bahia contava com 4,083 milhões de mulheres que eram ou já haviam sido mães, representando 65,8% das mulheres com 12 anos ou mais – cerca de 7 em cada 10. Esse percentual é o 13º maior do país e ligeiramente superior à média nacional de 65,2%.
Os estados com maior proporção de mães foram Mato Grosso do Sul (68,3%), Paraná (68,0%) e Rondônia (67,6%). Já Distrito Federal (61,0%), Amapá (62,2%) e Rio de Janeiro (63,1%) apresentaram os menores índices.
Salvador: 10ª menor proporção do estado
Na capital baiana, Salvador registrou 691.643 mães em 2022, o equivalente a 59,8% das mulheres com 12 anos ou mais – cerca de 6 em cada 10. Esse percentual é o 10º menor entre os municípios baianos e o 4º mais baixo entre as capitais brasileiras.
Entre os municípios, Capela do Alto Alegre (75,8%), Jaborandi (75,5%) e Central (75,0%) tiveram as maiores proporções de mães. Já Andaraí (53,8%), Ipecaetá (55,4%) e Abaíra (55,8%) registraram os menores índices.
Maternidade mais tardia
O Censo também aponta um envelhecimento da maternidade. Entre 2010 e 2022, o número de mães com até 34 anos caiu 24,8%, passando de 1,255 milhão para 944,2 mil – redução de 310,7 mil. Com isso, a participação desse grupo no total de mães caiu de 34,0% para 23,1%.
Em contrapartida, o número de mães com 35 anos ou mais cresceu 28,0% no período, saltando de 2,436 milhões para 3,138 milhões – acréscimo de 701,9 mil mulheres. Em 2022, quase 8 em cada 10 mães baianas tinham 35 anos ou mais.
Menos filhos por mulher
Além de engravidar mais tarde, as baianas estão tendo menos filhos. Entre 2010 e 2022, o total de filhos tidos por mulheres no estado caiu 6,9%, de cerca de 12,8 milhões para 11,9 milhões – redução de 881.476 filhos. Em números absolutos, foi a segunda maior queda do país, atrás apenas do Rio de Janeiro.
Esse movimento impacta diretamente a taxa de fecundidade total – número médio de filhos por mulher entre 15 e 49 anos. Na Bahia, o indicador caiu de 2,40 em 2000 para 1,70 em 2010, chegando a 1,55 em 2022. Esse valor é inferior à taxa de reposição populacional (2,10 filhos por mulher) e coloca o estado na 10ª menor posição do país, empatado com a média nacional.
As maiores taxas de fecundidade em 2022 foram registradas em Roraima (2,19), Amazonas (2,08) e Acre (1,90). As menores ficaram com Rio de Janeiro (1,35), Distrito Federal (1,38) e São Paulo (1,39).
Taxa de fecundidade nos municípios
Na Bahia, apenas 42 dos 417 municípios (10,1%) tinham taxa de fecundidade igual ou superior à de reposição. Sítio do Mato (2,74), Itabela (2,58), Vereda (2,55), Campo Alegre de Lourdes (2,55) e Aracatu (2,39) lideravam. No outro extremo, cidades como Novo Triunfo (0,81), Uibaí (0,89) e Alcobaça (0,96) registraram taxas inferiores a 1 filho por mulher.
Salvador teve taxa de 1,14 filho por mulher, a 16ª menor da Bahia e a 3ª mais baixa entre as capitais brasileiras, acima apenas de Florianópolis (1,10) e Curitiba (1,13).
Escolaridade e raça influenciam
O Censo mostra ainda que quanto maior a escolaridade, menor a fecundidade. Entre mulheres sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, a taxa era de 1,97 filho por mulher. Com fundamental completo, caiu para 1,80; entre as que concluíram o ensino médio, para 1,38; e entre mulheres com ensino superior completo, para 1,13.
Por cor ou raça, a fecundidade foi maior entre mulheres indígenas (2,02), seguidas pelas pardas (1,61), pretas (1,55) e amarelas (1,48). As mulheres brancas apresentaram a menor taxa no estado (1,37 filho por mulher).
De modo geral, os dados reforçam uma tendência já observada em todo o país: a maternidade na Bahia está mais tardia, menos numerosa e cada vez mais influenciada por fatores sociais, educacionais e econômicos.



