Malária avança em Manaus e comunidades cobram ações
A malária está avançando em Manaus, com aumento de casos registrados, e moradores das comunidades do interior do Amazonas cobram medidas urgentes das autoridades. Nesta quarta-feira (22), começou a distribuição da tafenoquina pediátrica, medicamento utilizado para a cura radical da malária vivax em crianças. A iniciativa é coordenada pelo Ministério da Saúde, pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e por instituições parceiras, com o objetivo de ampliar o acesso a um tratamento mais curto e eficaz.
De acordo com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), a baixa adesão ao tratamento infantil ainda representa um dos principais desafios no combate à doença. Com a nova estratégia, a expectativa é aumentar a conclusão dos tratamentos e reduzir a transmissão, especialmente em áreas de difícil acesso. O Ministério da Saúde informou que a inclusão da tafenoquina pediátrica fortalece a política nacional de controle da malária e representa um avanço significativo no enfrentamento da doença em regiões vulneráveis da Amazônia.
Capacitação de profissionais e testagem
A implantação do novo medicamento inclui a capacitação de profissionais de saúde, com treinamento para testagem de G6PD, orientações sobre os protocolos e atividades práticas em campo, garantindo o uso seguro do fármaco. Para a gerente de Malária e Hemoparasitos da FVS-RCP, Myrna Barata, a atuação direta nas comunidades é essencial. "A baixa adesão ao tratamento nessa faixa etária ainda é um problema que acaba contribuindo para a manutenção da cadeia de transmissão da doença", destacou.
A malária é considerada uma doença de transmissão predominantemente selvagem ou rural, o que dificulta o controle em regiões remotas. Com a distribuição da tafenoquina pediátrica, espera-se melhorar a adesão ao tratamento e interromper o ciclo de transmissão. Moradores das comunidades cobram ações mais efetivas, como maior presença de agentes de saúde e acesso a testes rápidos.
Dados da FVS-RCP indicam que o Amazonas registrou queda de 12,6% nos casos de malária no primeiro trimestre de 2025, mas o avanço recente em Manaus acendeu o alerta. Tecnologias de rastreamento também estão sendo usadas para identificar a presença da doença em doadores de sangue do Hemoam. Estudos mostram que a malária moldou a distribuição dos primeiros humanos na África, evidenciando sua relevância histórica.



