Incêndio destrói prédio tombado da Escola Prada e deixa 320 alunos sem aulas em Limeira
Um incêndio de grandes proporções destruiu parcialmente a Escola Municipal Prada, prédio histórico tombado pelo Patrimônio Histórico e Arquitetônico de Limeira (SP), na última sexta-feira (1º). O fogo, que começou durante o feriado do Dia do Trabalho, não deixou feridos, mas deixou 320 alunos sem aulas. A Defesa Civil vistoriou o local no sábado (2) e permitiu que a diretora retirasse documentos e um HD com registros históricos.
Emoção e memórias
Estudantes e ex-alunos foram ao local para ver de perto os danos. A aluna Heloísa Vitória da Mata expressou medo sobre o futuro: "Estou com muito medo dos meus amigos não continuarem na mesma sala que eu, ou de não ficarem nessa escola. E também não vai ter apresentação do Dia das Mães, que a gente tinha ensaiado". Pais como a analista financeira Claudenice Silva criticaram a falta de cuidado: "É bastante triste, a gente receber a notícia de que a escola tinha pegado fogo. É uma história da cidade. Faltou mais cuidado, mais atenção da prefeitura".
Mãe e filha, Maria Luiza Ferreira Neves (84 anos) e Mara Luiza Maurício Salinas (57 anos), representam duas gerações que estudaram na escola. Maria recordou: "Vou fazer 84 anos, agora, em julho. Eu tinha 14 anos quando estudei aqui. É uma vida, não é?" Mara completou: "É lamentável! Esperamos poder restaurar essa história".
Patrimônio histórico e urbanismo humanista
A Escola Prada faz parte do Conjunto Prada, que inclui a Creche e o Edifício Prada (antiga fábrica de chapéus e atual sede da Prefeitura). O conjunto foi tombado em 2021 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Arquitetônico de Limeira (CONDEPHALI). A escola é considerada um exemplo de urbanismo humanista no Brasil, conceito que coloca as pessoas no centro do planejamento urbano, garantindo acesso a saúde, educação e lazer. O italiano Agostinho Prada, dono da fábrica, construiu a escola e a creche em 1947 e 1949 para oferecer suporte aos trabalhadores.
Segundo a arquiteta Alessandra Argenton Sciota, o tombamento se justifica pelo valor social, histórico e urbanístico do conjunto, mesmo que o prédio escolar não seja exemplar arquitetônico.
Causas do incêndio
O Corpo de Bombeiros aponta que o fogo pode ter começado na fiação elétrica, entre o forro e o telhado. O capitão Clovis Michelin explicou: "Tudo indica, preliminarmente, que o incêndio tenha começado entre o forro e o telhado do prédio. Provavelmente uma fiação, por conta da forma como enxergamos o cenário aqui". A propagação se deu dentro do forro, que caiu por inteiro, sem salas mais prejudicadas que outras. O prédio não possuía Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). O prefeito Murilo Félix informou que 40 escolas de Limeira estão sem AVCB.
Transferência de alunos e recuperação
Os 320 alunos, de 5 a 11 anos, serão transferidos para o espaço de uma antiga faculdade a cerca de um quilômetro dali. A mudança dos materiais restantes começou no sábado (2). A administração municipal prometeu recuperar o espaço assim que liberado pela perícia, e a Polícia Civil investigará as causas do incêndio.



