Rio Juruá ultrapassa cota de transbordo e inunda áreas urbanas e rurais em Cruzeiro do Sul
O Rio Juruá registrou 13,17 metros na manhã desta terça-feira (24), superando a cota de transbordo fixada em 13 metros no município de Cruzeiro do Sul, localizado no interior do Acre. A elevação das águas já atinge nove bairros da cidade e oito comunidades rurais, causando transtornos significativos para as famílias residentes nessas localidades.
Impacto imediato e medidas de prevenção
De acordo com o major Josadac Cavalcante, comandante do 4º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar do município, a água ainda não invadiu o interior das residências, mas já provoca incômodos ao adentrar os quintais. "Muito embora essa água ainda não atinja o assoalho das residências, já gera transtorno para várias famílias, que passam a conviver com a água do rio dentro do quintal", afirmou o oficial.
A prefeitura de Cruzeiro do Sul já preparou quatro escolas para servirem como abrigos em caso de necessidade de evacuação:
- Marcelino Champagnat
- Corazita NegreirosPadre Arnoud
- Thaumaturgo de Azevedo, localizada no bairro do Alumínio
Fevereiro mais chuvoso dos últimos cinco anos
O major Josadac destacou que este é o fevereiro mais chuvoso registrado nos últimos cinco anos na região, com as precipitações dos últimos dias contribuindo diretamente para o transbordamento do manancial. A previsão meteorológica para os próximos dias indica chuvas variando entre 50 e 75 milímetros em todo o Vale do Juruá, desde a região do Alto Juruá até Cruzeiro do Sul.
"Se essa chuva de até 75 milímetros se confirmar, com certeza o Rio Juruá deve continuar subindo ao longo de toda a semana", alertou o comandante dos bombeiros.
Contexto histórico e padrões de inundação
Segundo dados históricos analisados pelo Corpo de Bombeiros, mais de 50% das inundações registradas em Cruzeiro do Sul nos últimos 30 anos ocorreram entre o final de fevereiro e o início de março. "Já tivemos registros de inundações inclusive no mês de abril, mas o mais comum é acontecer no final de fevereiro e nas primeiras semanas de março", explicou Josadac.
O oficial também esclareceu que, nos últimos períodos de cheia, as primeiras remoções de famílias começaram quando o rio atingiu entre 13,50 metros e 13,60 metros. "Com o rio em 13,50 metros a 13,60 metros, as primeiras famílias já são retiradas, porque a água começa a entrar no interior das residências", destacou.
Cheias recentes e situação de emergência
Esta não é a primeira vez que o Rio Juruá transborda em 2024. No dia 17 de janeiro, uma cheia afetou aproximadamente 1.650 famílias (cerca de 6,6 mil pessoas), sendo que pelo menos 139 famílias ficaram sem energia elétrica e acesso à água potável. Em 31 de janeiro, o rio novamente ultrapassou a cota de transbordo ao atingir 13,12 metros, e em 2 de fevereiro chegou a 13,49 metros, mantendo o município em alerta máximo.
A prefeitura decretou situação de emergência no dia 20 de janeiro, publicação que foi formalizada seis dias depois após uma sequência de chuvas intensas que provocou o transbordamento dos rios da região. O decreto tem validade de seis meses e permite:
- Dispensa de licitação para contratação de bens, serviços e obras emergenciais
- Entrada forçada em imóveis para resgate ou evacuação em caso de risco iminente
- Uso temporário de propriedades particulares
- Processos de desapropriação de áreas consideradas de alto risco
Monitoramento contínuo e perspectivas
Apesar da elevação atual, há registro de vazante na região de fronteira com o Peru, no Alto Juruá. Conforme o Corpo de Bombeiros, caso não ocorram chuvas significativas, a tendência seria de estabilização e posterior vazante nos próximos dias.
A Defesa Civil Municipal tem intensificado o acompanhamento do nível do rio e realizado vistorias em áreas de risco com equipes mobilizadas para atendimento imediato à população. A situação permanece sob monitoramento constante, com autoridades locais buscando apoio dos governos estadual e federal para enfrentar os efeitos das enchentes.



