Rio Juruá sai da cota de transbordo em Cruzeiro do Sul, mas cheia já impacta mais de 1,6 mil famílias
Rio Juruá sai da cota de transbordo, mas cheia afeta famílias no Acre

Mesmo com a redução do nível das águas, a situação em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, continua delicada. Após cinco dias em estado crítico, o Rio Juruá finalmente saiu da cota de transbordo, que é de 13 metros, e registrou 12,48 metros na tarde desta quinta-feira, 22 de fevereiro. A informação foi confirmada pela Defesa Civil Municipal, que acompanha de perto a evolução da cheia.

Impactos da enchente em bairros e comunidades

O transbordamento do rio, que ocorreu no último sábado, 17 de fevereiro, quando o nível atingiu 13,03 metros, já deixou um rastro de prejuízos. Segundo levantamento oficial da Defesa Civil, mais de 1,6 mil famílias foram impactadas diretamente pela cheia. Oito bairros do município estão entre as áreas mais afetadas:

  • Várzea
  • Olivença
  • Mitirizal
  • Beira Rio
  • Lagoa
  • Manoel Terças
  • Cruzeirinho
  • São Salvador

Além dos bairros urbanos, comunidades rurais também enfrentam as consequências da enchente. O coordenador de desastres, Iranilson Neri, destacou que localidades como Tapiri, Praia Grande, Laguinho, Florianópolis, Laguinho do Carvão, Estirão do Remanso, São Luiz e Lago do Sacado estão sofrendo com o avanço das águas.

Monitoramento e ações da Defesa Civil

Apesar da gravidade da situação, até a tarde desta quinta-feira não havia pedidos formais para a retirada de famílias de suas residências em Cruzeiro do Sul. A Defesa Civil mantém uma atuação preventiva e contínua, realizando vistorias em áreas de desbarrancamento às margens do Rio Juruá, especialmente na Avenida Rio Juruá, no bairro Mitirizal.

"Estamos fazendo vistorias nas áreas de desbarrancamento às margens do Rio Juruá, especificamente na Avenida Rio Juruá no bairro Mitirizal. Além do monitoramento na bacia do alto Juruá na extensão de Marechal Thaumaturgo a Cruzeiro do Sul", afirmou Iranilson Neri.

O órgão também está de olho nas condições climáticas. Até esta quinta-feira, já foram registrados 266,8 milímetros de chuva no município. A previsão indica que cerca de 100 milímetros de precipitação ainda devem cair até a próxima terça-feira, 27 de fevereiro, o que exige atenção redobrada.

Preparação para possíveis deslocamentos

Em caráter preventivo, a Defesa Civil já preparou quatro escolas para servirem como abrigos, caso seja necessário realocar famílias. As unidades educacionais designadas são:

  1. Marcelino Champagnat
  2. Padre Arnold
  3. Corazita Negreiros
  4. Thaumaturgo de Azevedo

Essa medida visa garantir um local seguro para os moradores, caso a situação se agrave e exija evacuações emergenciais.

Problemas pontuais e histórico da cheia

A enchente também causou transtornos específicos em algumas comunidades. Na Comunidade Florianópolis, por exemplo, cerca de dez residências tiveram o fornecimento de energia elétrica suspenso na segunda-feira, 19 de fevereiro. Felizmente, o serviço foi religado na quarta-feira, 21 de fevereiro, conforme informado pela Energisa.

O aumento do volume do Rio Juruá vinha sendo monitorado ao longo da semana. Na quinta-feira anterior, 15 de fevereiro, o manancial marcou 12,19 metros por volta das 18h, ficando 21 centímetros acima da cota de alerta, estabelecida em 11,80 metros. Já na sexta-feira, 16 de fevereiro, às 17h, o nível subiu para 12,61 metros, indicando uma tendência de crescimento que culminou no transbordamento.

Conforme explicou a Defesa Civil, o aumento do volume de água está diretamente relacionado às chuvas intensas registradas na região e à subida dos rios nas cabeceiras da bacia do Juruá. Esses fatores combinados contribuíram para o avanço rápido do nível do manancial em Cruzeiro do Sul, exigindo uma resposta coordenada das autoridades locais.