Novos deslizamentos em Juiz de Fora após chuvas intensas aumentam tragédia
A cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, enfrenta uma situação crítica com novos deslizamentos de terra ocorridos nesta quinta-feira (26), consequência direta das fortes chuvas que atingiram a região durante a madrugada. Os registros pluviométricos apontam um acumulado impressionante de 137 milímetros, provocando alagamentos em ruas e avenidas, além de invasões de água em unidades de saúde locais.
Identificação de vítimas e enterros abreviados
Equipes especializadas da Polícia Civil de Belo Horizonte foram deslocadas para Juiz de Fora com o objetivo de auxiliar no complexo processo de identificação dos corpos recuperados dos escombros. Até o momento, trinta corpos já receberam sepultamento no cemitério municipal, enquanto outros aguardam análise no Instituto Médico Legal. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu uma recomendação para que os velórios e enterros fossem abreviados, devido ao estado avançado de decomposição dos corpos, limitando o tempo de despedida das famílias enlutadas.
"Desde o dia do desabamento, eu sou uma sobrevivente. Eu agradeço pela minha vida, mas eu quero meus familiares nem que seja para ter um enterro digno", desabafa Renata da Silva, que perdeu a tia e o primo no desastre.
Parque Burnier: epicentro da tragédia
No bairro Parque Burnier, o cenário é particularmente devastador, com 21 mortes confirmadas até agora. Os bombeiros mantêm buscas ativas por uma criança desaparecida, enquanto a encosta permanece instável e representa um risco constante. Nesta quinta-feira, uma nova porção do terreno cedeu em uma área mais elevada do bairro, obrigando a Defesa Civil a interditar residências adicionais e aumentar o estado de alerta entre os moradores.
"Eu moro nessa casa aqui tem 30 dias, e o barranco desabou debaixo dela", relata uma residente local, ilustrando a vulnerabilidade da comunidade. Outra moradora complementa: "Quando nós chegamos aqui já tinha dado o estalo. Eles correram para cá e nós correndo trazendo as crianças. A vida vale mais".
Impactos urbanos e emergências médicas
As chuvas torrenciais não pouparam a infraestrutura urbana de Juiz de Fora. Um motociclista foi arrastado pela correnteza ao tentar cruzar uma via alagada, e diversos veículos ficaram ilhados. Três unidades de saúde, incluindo o Hospital de Pronto-Socorro, foram invadidas por enxurradas de água barrenta, que adentraram salas de atendimento. Felizmente, os serviços médicos já foram retomados, mas o episódio expôs a fragilidade do sistema frente a eventos climáticos extremos.
O tenente Elias Cristóvão, do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, detalha a ação emergencial: "Foi relatado a audição de estalos, rachaduras e até desabamento parcial de uma das residências. A ação emergencial foi feita, que é a retirada das pessoas das residências".
Contexto e continuidade do desastre
O recente deslizamento ocorreu a poucos metros do local onde, na segunda-feira (23), uma avalanche de lama soterrou 12 casas, ampliando o rastro de destruição. A instabilidade geológica e as condições climáticas adversas criam um ciclo perigoso, com moradores vivendo sob constante ameaça e medo. A comunidade local, pega de surpresa pelos novos eventos, clama por apoio e segurança, enquanto as autoridades reforçam os esforços de monitoramento e resposta.
A tragédia em Juiz de Fora serve como um alerta contundente sobre os riscos associados a chuvas intensas em áreas urbanas vulneráveis, exigindo ações coordenadas de prevenção e assistência humanitária para mitigar futuros desastres.



