Lama cobre ruas de Ubá e Matias Barbosa após enchente devastadora em Minas Gerais
Os rios que cortam as cidades de Ubá e Matias Barbosa, em Minas Gerais, transbordaram violentamente, inundando as ruas com uma grossa camada de lama que causou destruição generalizada. O fenômeno natural, resultado de fortes chuvas, deixou um rastro de devastação que mobiliza a população em um intenso trabalho de limpeza e recuperação.
Destruição e esforços de limpeza em Ubá
Em Ubá, o Rio Ubá subiu mais de sete metros, causando o desabamento de quatro prédios e uma ponte. A enchente resultou em seis mortes confirmadas e duas pessoas desaparecidas, enquanto mais de 1.500 pessoas tiveram que abandonar suas casas. Em uma concessionária local, mais de trinta carros foram completamente cobertos pelo barro.
Os moradores e comerciantes trabalham incansavelmente para remover a lama das ruas do Centro da cidade, utilizando enxadas, jatos de água e tratores. "Fazem dois dias que nós estamos aqui limpando. Não tem hora. A gente chega cedo e vai até a hora que der, até a hora que o cansaço vencer", relata Talita Brun de Siqueira, gerente de uma loja local.
Situação crítica em instituição de idosos
Uma instituição de longa permanência para idosos foi severamente atingida pela enxurrada. O local, que abrigava dezesseis idosas, foi completamente tomado pela lama durante o temporal. Duas residentes foram hospitalizadas, três estão com familiares e as demais foram transferidas para outras instituições.
Carlos Márcio de Freitas, diretor do lar, descreve o impacto emocional: "A população toda está ainda em choque, tentando se refazer, tentando, vamos falar assim, colher cacos para renovar de novo". Voluntários já lavaram e estão pintando o imóvel, enquanto os idosos relatam ter ficado em colchões no meio da enchente até serem resgatados.
Solidariedade mineira em ação
O engenheiro Mário Henrique da Silva Pereira, natural de Divinópolis, que fica a mais de quinhentos quilômetros de Ubá, organizou uma vaquinha com amigos para levar água e apoio às vítimas. "Eu estava lá, meio inquieto... Eu fui ajudar no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Fui no Paraná, em Rio Bonito do Iguaçu. Sendo em Minas e eu sendo mineiro, falei: 'Não tem como não ajudar'", explica o engenheiro, demonstrando a força da solidariedade regional.
Matias Barbosa também sofre com a lama
Na cidade de Matias Barbosa, localizada a cento e quarenta quilômetros de Ubá, a situação não é diferente. Após o temporal, a lama se acumulou nas ruas, obrigando moradores a descartarem objetos perdidos e iniciarem a árdua tarefa de limpeza.
Em uma avenida no Centro da cidade, muitos comerciantes perderam tudo e não sabem quando conseguirão reabrir seus estabelecimentos. Romero Cesar Toledo, empresário local, descreve a cena: "Parece um tsunami, tá? É uma tristeza. Não tem um comerciante aqui do Centro que pode falar que não teve perda".
Impacto humano e deslocamentos
Até o momento, em Matias Barbosa, 160 pessoas estão desalojadas e 35 desabrigadas, sendo acolhidas em escolas municipais. Carlos Roberto Lima, pedreiro que perdeu seus pertences materiais, reflete: "Lá em casa só uma coisa que eu tirei, graças a Deus que eu tenho, é a minha família. Porque o resto material eu perdi tudo".
O trabalho de remoção de entulho continua incessantemente, com trabalhadores chegando a todo momento para ajudar na recuperação das duas cidades mineiras. A comunidade se une em meio à tragédia, demonstrando resiliência frente à destruição causada pelas águas e pela lama que transformou o cotidiano de milhares de mineiros.
