Juiz de Fora terá obras em 7 áreas de risco geológico para prevenir deslizamentos
Juiz de Fora é a nona cidade do Brasil com a maior população residente em áreas de risco de deslizamentos, enchentes e enxurradas, conforme um levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O estudo, que integra a nova versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, analisa os municípios com maior suscetibilidade a esses eventos, baseando-se no número de pessoas que vivem em zonas mapeadas como de risco geo-hidrológico.
Dados alarmantes sobre a população em risco
De acordo com o Cemaden, Juiz de Fora ocupa a terceira posição em Minas Gerais em termos de população em áreas de risco, ficando atrás apenas de Belo Horizonte e Ribeirão das Neves. O levantamento divulgado em 2024 e válido até este ano revela que, dos 540.756 habitantes da cidade, 128.946, o equivalente a 23,7% da população, residem em locais considerados perigosos para deslizamentos, enchentes e enxurradas.
Topografia da cidade favorece cenário de risco
O engenheiro ambiental Luiz Evaristo de Paiva explica que o relevo de Juiz de Fora possui uma característica particular, com topografia acidentada que inclui morros e encostas, o que aumenta significativamente os riscos. "Por isso, as construções sobre essas áreas devem ter cuidados especiais, do dimensionamento da estrutura, que chamamos de alicerce, até o bom dimensionamento dos pilares, vigas e lajes, para que a estrutura fique bem sólida sobre o terreno", afirmou.
Ele ressalta que outra alternativa extremamente importante são os muros de arrimo para conter essas encostas, como parte das medidas estruturais. "Além disso, é importante procurar a orientação de um profissional técnico ou mesmo a Defesa Civil para que o interessado possa construir a moradia de forma segura e resistente", completou.
Obras preventivas em sete áreas
Para mitigar esses riscos, a cidade de Juiz de Fora terá obras realizadas em sete áreas específicas identificadas como de alto risco geológico. Essas intervenções visam prevenir deslizamentos e proteger a população local, alinhando-se com as diretrizes do PAC e com as recomendações técnicas de especialistas.
O contexto de vulnerabilidade é reforçado por eventos recentes, como chuvas intensas que deixaram mortos e milhares de desabrigados na região, destacando a urgência de ações preventivas. A campanha de arrecadação realizada pela TV Integração e parceiros para comunidades afetadas pela chuva na Zona da Mata Mineira exemplifica os esforços comunitários em resposta a essas tragédias.



