O solo italiano continuou sua atividade ininterrupta ao longo de 2025, com milhares de eventos sísmicos registrados pelas autoridades especializadas. De acordo com o Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV), o país europeu foi palco de 15.759 terremotos no ano passado, uma cifra que mantém a tendência de estabilidade observada nos últimos anos.
Uma média impressionante de tremores
Os números divulgados nesta segunda-feira (12 de janeiro de 2026) revelam uma realidade constante para os italianos. A contagem total equivale a uma média de pouco mais de 43 eventos sísmicos por dia, ou aproximadamente um tremor a cada 33 minutos. Apesar do volume, o ano de 2025 registrou um número ligeiramente inferior ao de 2024, quando foram detectados 15.762 abalos.
"A tendência geral permanece estável: desde 2019, o número de eventos localizados na Itália tem oscilado entre 16 mil e 17 mil terremotos anualmente", afirmou o INGV em um relatório especial. Os dados indicam uma redução em comparação com o biênio crítico de 2016-2017, fortemente impactado pela sequência sísmica iniciada com o poderoso terremoto de Accumoli, em 24 de agosto de 2016.
Os terremotos mais significativos de 2025
Embora frequente, a atividade sísmica do ano passado foi marcada por eventos de intensidade moderada. O tremor mais forte ocorreu em 14 de março, na costa da província de Foggia, com uma magnitude de momento (Mw) de 4,8. Este evento fez parte de uma sequência sísmica ativa ao norte do promontório de Gargano, na região do Lago Lesina.
Um dado importante é que, ao contrário de anos anteriores, nenhum terremoto atingiu ou superou a magnitude 5.0 em 2025. Apenas cerca de 10% do total de tremores registrados tiveram magnitude igual ou superior a 2,0. No total, foram 21 eventos com intensidade entre 4,0 e 4,9, sendo a maioria (16) localizada na Itália e nos mares circundantes, e 5 entre a Croácia e a Albânia.
Sequências sísmicas e monitoramento constante
O ano também foi marcado pela continuidade de sequências sísmicas moderadas em áreas conhecidas por sua atividade. Nos Campi Flegrei, por exemplo, ocorreram dois terremotos com os maiores valores de magnitude-duração (Md 4,6) da atual crise bradissísmica, em 13 de março e 30 de junho.
Outras regiões também apresentaram atividade relevante:
- Mar Tirreno: Dois tremores com magnitude local (ML) de 4,7, um próximo ao arquipélago das Ilhas Eólias (7 de fevereiro) e outro na costa das Ilhas Égadas (26 de agosto).
- Província de Avellino: Uma pequena sequência sísmica em outubro gerou ampla indignação pública, destacando a sensibilidade da população a esses eventos.
Salvatore Stramondo, diretor do Departamento de Terremotos do INGV, destacou a importância da infraestrutura de monitoramento. "A infraestrutura de pesquisa do INGV, principalmente a Rede Sísmica Nacional (RSN), permite que nossas salas de operações monitorem diariamente a atividade sísmica do país", explicou.
O especialista italiano ressaltou ainda o valor científico dos dados coletados: "É importante lembrar que os dados adquiridos pela RSN são um recurso inestimável, compartilhado com toda a comunidade científica, sobre o qual os sismólogos podem construir um avanço constante do conhecimento científico".
Os números de 2025 consolidam a Itália como um dos países europeus com a maior atividade sísmica, um fenômeno geológico intrínseco à sua localização, que exige vigilância permanente e preparo da população e das autoridades.