Escolas se tornam refúgios para desabrigados após temporais em Juiz de Fora
Em Juiz de Fora, Minas Gerais, as escolas públicas estão desempenhando um papel crucial como abrigos temporários para centenas de pessoas que perderam suas casas devido aos intensos temporais que atingiram a região. A situação, que se agravou ao longo desta quarta-feira (25), levou famílias inteiras a buscarem segurança e acolhimento nestes espaços educacionais, transformados em centros de apoio humanitário.
Histórias de perda e resiliência em meio à tragédia
O repórter César Tralli registrou emocionantes depoimentos dos afetados pela catástrofe. Delba Piemonte, diretora de uma das escolas que serve de abrigo, expressou sentimentos contraditórios: "É uma mistura. É uma emoção a gente poder abrir a escola para poder recebê-los e uma tristeza ao mesmo tempo, porque a gente está abrindo em um momento muito difícil". Ela revelou a dimensão da tragédia pessoal vivida pela comunidade escolar: "Nós perdemos dois irmãos - um de 6 e outro de 7 anos. A mãe também faleceu. E uma aluna de 5 anos".
O pintor Tarcílio Domingues narrou sua luta pela sobrevivência: "Eu fiquei soterrado. Eu consegui sair sozinho. Fiquei uma hora para sair do barro. Eu estava soltando a cachorra, e a cachorra morreu soterrada do meu lado". Seu relato ilustra a rapidez com que a tragédia se abateu sobre as famílias.
O recomeço marcado pela solidariedade
A dona de casa Fabiana de Oliveira descreveu como perdeu tudo em questão de minutos: "Foi questão de uns 20 minutos, meia hora. Eu saí de lá, desci o escadão para ir na casa da minha mãe e aí a minha casa desceu. Desceu tudo, lavando tudo. Não sobrou para a gente nada. Só a roupa do corpo". Apesar da perda total, ela encontrou conforto na comunidade: "A vida é sempre um recomeço. Eu estou aqui, estou sendo muito bem acolhida. O pessoal daqui é tudo amoroso, bondoso".
Um gesto simbólico trouxe esperança para Fabiana: "E isso aqui (um desenho), eu recebi de uma criança que pintou para mim, me deu de presente. É o recomeço". Este pequeno presente representa a rede de apoio que se formou espontaneamente entre os desabrigados e os voluntários.
A infraestrutura educacional como ponto de apoio
As escolas de Juiz de Fora, normalmente centros de aprendizado, assumiram temporariamente a função de abrigos emergenciais, oferecendo:
- Espaço seguro para famílias desabrigadas
- Acolhimento psicológico e emocional
- Distribuição de alimentos e roupas
- Ponto de encontro para busca de informações
A transformação destes espaços evidencia a capacidade de adaptação da comunidade frente a desastres naturais de grande magnitude. Enquanto as autoridades trabalham para avaliar os danos e planejar a reconstrução, as escolas continuam como símbolos de resistência e solidariedade em meio à devastação causada pelas chuvas torrenciais.
