Cruzeiro do Sul decreta emergência após cheia do Rio Juruá afetar 1.650 famílias no Acre
Emergência em Cruzeiro do Sul por cheia do Rio Juruá afeta milhares

Cruzeiro do Sul decreta situação de emergência após cheia histórica do Rio Juruá

O município de Cruzeiro do Sul, localizado no interior do estado do Acre, oficializou nesta segunda-feira, 26 de fevereiro, um decreto de situação de emergência em resposta às graves inundações provocadas pelo transbordamento dos rios da região, com destaque para o Rio Juruá. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado e reflete a magnitude dos danos causados pelas chuvas intensas registradas nos últimos dias de janeiro.

Impactos diretos na população e infraestrutura

Segundo dados atualizados da Defesa Civil Municipal, aproximadamente 1.650 famílias foram diretamente afetadas pelas enchentes, o que corresponde a cerca de 6.600 pessoas. Dentre esse total, pelo menos 139 famílias enfrentam a interrupção do fornecimento de energia elétrica e, consequentemente, ficaram sem acesso à água potável, agravando ainda mais a crise humanitária.

O prefeito José de Souza Lima assinou o decreto no dia 20 de janeiro, classificando o cenário como Situação de Emergência Nível II. Essa classificação indica que os danos são de tal magnitude que o município não possui capacidade para lidar sozinho com os prejuízos, necessitando de apoio externo imediato.

Nível do rio e áreas mais atingidas

As chuvas persistentes elevaram o nível do Rio Juruá acima da cota de transbordo, estabelecida em 13 metros. Embora o manancial tenha saído do alerta máximo, o nível registrado nesta segunda-feira ainda se mantém elevado, em 11,91 metros, mantendo várias áreas sob risco constante de novos alagamentos.

As inundações atingiram tanto bairros urbanos quanto comunidades rurais e ribeirinhas ao longo de toda a extensão do Rio Juruá. Entre as localidades mais afetadas estão:

  • Várzea
  • Lagoa
  • Beira Rio
  • São Salvador
  • Saboeiro
  • Manoel Terças
  • Cobal
  • Remanso
  • Miritizal
  • Cruzeirinho Novo

Medidas emergenciais e apoio às famílias

O decreto municipal autoriza a mobilização de todos os órgãos públicos locais para atuar sob a coordenação da Defesa Civil, incluindo a convocação de voluntários e a realização de campanhas de arrecadação de donativos. As equipes de socorro já estão atendendo os primeiros chamados, enquanto o município assume os custos de acolhimento em abrigos públicos e através do programa de aluguel social.

O documento oficial destaca que a quebra da normalidade e da rotina das famílias atingidas, somada aos impactos negativos no sistema de transporte, na saúde pública e na segurança global, afetam diretamente a integridade e a incolumidade da população.

Previsões climáticas e ações de contingência

A prefeitura alerta que os índices pluviométricos indicam um aumento das chuvas nos próximos dias, elevando significativamente o risco de agravamento do cenário atual. Diante dessa perspectiva, o decreto prevê uma série de medidas excepcionais para mitigar os efeitos da cheia.

Entre as ações autorizadas estão:

  1. Entrada forçada em imóveis para resgate ou evacuação em caso de risco iminente.
  2. Uso temporário de propriedades particulares para abrigo ou operações de emergência.
  3. Processos de desapropriação de áreas consideradas de alto risco.
  4. Dispensa de licitação para contratação de bens, serviços e obras emergenciais, com prazo de conclusão de até 180 dias.

Validade e busca por recursos adicionais

A situação de emergência terá validade inicial de seis meses, podendo ser reavaliada a qualquer momento conforme a evolução das condições climáticas e hidrológicas. O município também buscará apoio dos governos estadual e federal para complementar os recursos necessários ao enfrentamento da crise, visando garantir uma resposta eficaz e a recuperação das áreas afetadas.

Essa mobilização integral demonstra a gravidade da situação em Cruzeiro do Sul, onde as famílias atingidas aguardam por soluções imediatas e por um plano de reconstrução que restaure a normalidade em suas vidas.