O rei Charles III usou um aguardado discurso ao Congresso americano nesta terça-feira, 28, para reforçar que os Estados Unidos e o Reino Unido possuem um vínculo “inquebrável”, embora tenha reconhecido que existem “divergências” em meio a tensões diplomáticas entre os países. Por ocasião de sua visita a Washington com a esposa, Camilla, para marcar os 250 anos de independência da ex-colônia britânica, ele foi o segundo monarca na história a se dirigir a senadores e deputados americanos, depois de sua mãe, a rainha Elizabeth II, em 1991.
Discurso histórico no Capitólio
“Repetidamente, nossos dois países sempre encontraram maneiras de se unir”, declarou ele. “Apesar das nossas diferenças e divergências, mantemos o compromisso compartilhado de defender a democracia, proteger todo o nosso povo de danos e saudar a coragem daqueles que diariamente arriscam suas vidas a serviço de nossos países”, completou. O rei também citou o presidente Donald Trump, que chamou o elo entre Estados Unidos e Reino Unido de “insubstituível e inquebrável”.
Tensões diplomáticas em segundo plano
Embora a visita seja amigável — o republicano já explicitou por diversas vezes seu apreço pela família real britânica —, ela ocorre num momento turbulento para os aliados de longa data. Desde que regressou ao poder, Trump ameaçou romper um acordo comercial com o Reino Unido, zombou da Marinha britânica e insultou o primeiro-ministro do país, Keir Starmer. A irritação do líder americano com Londres deve-se, em grande parte, à recusa do premiê em participar na ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que continua a desestabilizar a economia global.
Charles pareceu fazer uma alusão às tensões durante o discurso. “Nossa parceria nasceu da disputa, mas não é menos forte por isso. Talvez, neste exemplo, possamos discernir que nossas nações são, de fato, instintivamente semelhantes – um produto das tradições democráticas, jurídicas e sociais comuns nas quais nossa governança está enraizada até hoje”, disse o rei.
Aliança estratégica e princípios compartilhados
O monarca argumentou ainda que a aliança não é apenas estratégica, mas se baseia em 250 anos de princípios compartilhados. Ao descrevê-la como “verdadeiramente única”, ele defendeu que a parceria transatlântica permanece “mais importante hoje do que jamais foi”. “Vivemos hoje uma era que é, em muitos aspectos, mais volátil e mais perigosa do que o mundo ao qual minha falecida mãe se dirigiu, nesta mesma câmara, em 1991. Os desafios que enfrentamos são grandes demais para que qualquer nação os suporte sozinha”, afirmou o rei. “Mas, neste ambiente imprevisível, nossa aliança não pode se basear em conquistas passadas, nem presumir que os princípios fundamentais simplesmente perdurem.”
Ele também citou Starmer, que descreveu a parceria como “indispensável” recentemente. “Não devemos desconsiderar tudo o que nos sustentou nos últimos oitenta anos. Em vez disso, devemos construir mais em cima isso”, disse Charles, usando as palavras do primeiro-ministro britânico.



