O chanceler alemão, Friedrich Merz, declarou que os Estados Unidos continuam sendo o parceiro mais relevante para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A afirmação foi feita em uma entrevista à emissora pública ARD, que será transmitida ainda neste domingo (3), conforme informações da agência Reuters. Merz afirmou: “Continuo convencido de que os americanos são o parceiro mais importante para nós na Aliança do Atlântico Norte”.
Crise diplomática e retirada de tropas
A declaração ocorre em um contexto de crise diplomática entre Alemanha e Estados Unidos, agravada por divergências relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Na última sexta-feira (1°), os EUA anunciaram a retirada de 5 mil soldados da Alemanha, movimento interpretado como uma punição a Berlim. Questionado sobre a possível ligação entre a retirada e a estratégia do presidente Donald Trump no Irã, Merz negou qualquer conexão direta.
Contexto das tensões
Na segunda-feira anterior, Merz havia declarado que os iranianos estavam “humilhando” os EUA nas negociações para encerrar o conflito, que já dura dois meses. Trump rebateu a afirmação no dia seguinte, acusando o chanceler de não saber do que estava falando e afirmando que a Alemanha estava “indo mal”. Posteriormente, o presidente americano publicou em uma rede social que avaliava retirar tropas do território alemão.
Importância estratégica da Alemanha
A Alemanha abriga a principal base militar dos EUA na Europa, com cerca de 35 mil militares em serviço ativo, funcionando como um centro estratégico de treinamento para as forças norte-americanas. O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, informou que o processo de retirada dos 5 mil soldados deve ser concluído em até 12 meses. Um alto funcionário do Departamento de Defesa, que falou sob anonimato à Reuters, revelou que uma brigada de combate será retirada do país, e um batalhão de artilharia de longo alcance, que deveria ser enviado ainda este ano, não será mais deslocado.
Reação dos EUA
Segundo a autoridade, as medidas são uma resposta às declarações recentes de autoridades alemãs, classificadas como “inapropriadas e pouco úteis”. O presidente está agindo de forma adequada a esses comentários contraproducentes, afirmou. A redução deve levar o número de tropas dos EUA na Europa de volta a níveis próximos aos anteriores a 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia motivou um reforço militar ordenado pelo então presidente Joe Biden.
Possíveis punições a outros países
Na quinta-feira (30), Trump confirmou a intenção de retirar tropas da Alemanha e sugeriu que poderia fazer o mesmo com Espanha e Itália. “Provavelmente vou fazer isso. A Itália não tem ajudado em nada e a Espanha tem sido horrível, absolutamente horrível”, afirmou. A Alemanha está entre os países da Otan que autorizaram o uso de bases militares para ataques contra o Irã, decisão elogiada por Trump. No início de março, durante visita de Merz à Casa Branca, o presidente disse que o país era um parceiro útil.
Espanha e Itália adotaram posturas mais restritivas. No fim de março, o governo espanhol fechou o espaço aéreo para aeronaves americanas envolvidas na guerra. Já os italianos negaram o uso de uma base aérea na Sicília em operações de combate. No início de abril, o jornal The Wall Street Journal revelou que Trump avaliava punir países da Otan por falta de apoio à guerra contra o Irã. Entre as medidas, estaria a transferência de tropas para países que apoiaram a ofensiva no Oriente Médio, como Polônia, Romênia, Lituânia e Grécia. O plano também inclui a possibilidade de fechar uma base militar dos EUA na Europa, possivelmente na Espanha ou na Alemanha.



