Uma autoridade sênior dos Emirados Árabes Unidos declarou nesta sexta-feira (1º de maio) que não é possível confiar no Irã em relação a qualquer acordo unilateral para o Estreito de Ormuz, evidenciando a profunda desconfiança entre as partes envolvidas no conflito no Oriente Médio. Dois meses após o início da guerra, o canal marítimo vital permanece praticamente fechado devido a um bloqueio imposto pelo Irã, enquanto a Marinha dos Estados Unidos bloqueia as exportações de petróleo bruto iraniano.
Cessar-fogo e tensões elevadas
Um cessar-fogo está em vigor desde 8 de abril, mas as tensões continuam altas. Notícias de que o presidente dos EUA, Donald Trump, seria informado sobre planos de novos ataques militares para forçar o Irã a negociar elevaram os preços globais do petróleo a uma máxima de quatro anos na quinta-feira. O Irã, por sua vez, ativou suas defesas aéreas e planeja uma resposta ampla caso seja atacado, avaliando que um ataque curto e intenso dos EUA pode ocorrer, possivelmente seguido por um ataque israelense, segundo duas fontes iranianas que falaram à Reuters sob anonimato.
Posição dos Emirados Árabes Unidos
O assessor presidencial dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, destacou que a liberdade de navegação pelo Estreito de Ormuz deve ser garantida pela vontade coletiva internacional e pelas disposições da lei internacional. "E, é claro, não se pode confiar em nenhum acordo unilateral do Irã após sua agressão traiçoeira contra todos os seus vizinhos", escreveu Gargash, reforçando a desconfiança dos países do Golfo.
Impasse diplomático
Washington não revelou seus próximos passos. Trump afirmou na terça-feira que estava insatisfeito com a última proposta do Irã, e o mediador Paquistão não definiu uma data para novas conversas sobre o fim do conflito, que já matou milhares, principalmente no Irã e no Líbano. Após os ataques aéreos dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro, o Irã retaliou contra bases, infraestrutura e empresas ligadas aos EUA nos países do Golfo, enquanto o Hezbollah, apoiado pelo Irã, lançou mísseis contra Israel, que respondeu com ataques ao Líbano.
Prazo nos EUA
Trump enfrenta um prazo formal dos EUA nesta sexta-feira para encerrar a guerra ou apresentar o caso ao Congresso para prorrogá-la, de acordo com a Resolução de Poderes de Guerra de 1973. No entanto, a data parece não alterar o curso do conflito, pois uma autoridade do governo dos EUA afirmou que, para os fins da resolução, as hostilidades haviam terminado devido ao cessar-fogo de abril entre Teerã e Washington.



