Crise no Reino Unido: Trabalhistas perdem eleições e pressão sobre Starmer cresce
Crise no Reino Unido: Trabalhistas perdem eleições e pressão sobre Starmer

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, enfrenta uma crise política sem precedentes após o Partido Trabalhista sofrer uma derrota avassaladora nas eleições regionais realizadas no início de maio. Até a noite desta segunda-feira (11), 71 dos 403 parlamentares trabalhistas pediram publicamente que Starmer renuncie imediatamente ou estabeleça um prazo para deixar o comando do governo.

Derrota nas urnas e crescimento da direita

O Partido Trabalhista, que retornou ao poder em julho de 2024 após 14 anos de governos conservadores, perdeu cerca de 1.500 cadeiras de vereadores. Enquanto isso, o partido de direita Reform UK, liderado pelo populista Nigel Farage, registrou um crescimento significativo, consolidando-se como uma força política emergente. Analistas apontam que esse fenômeno reflete uma tendência observada em outros países europeus, como França, Alemanha e Holanda, onde partidos populistas de direita avançaram nas eleições recentes.

Pressão sobre Starmer

Em um discurso nesta segunda-feira, Starmer tentou recuperar apoio político. “Sei que as pessoas estão frustradas com a situação do Reino Unido, frustradas com a política e algumas também estão frustradas comigo”, afirmou. “Sei que há pessoas que duvidam de mim, e sei que preciso provar que elas estão erradas, e vou fazer isso”, acrescentou. O premiê também prometeu reconstruir as relações com a Europa.

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A derrota nas urnas é vista como um teste de popularidade de Starmer, que caiu significativamente desde que assumiu o cargo há menos de dois anos. O governo enfrenta dificuldades para entregar o crescimento econômico prometido, melhorar os serviços públicos, reformar o sistema de assistência social e reduzir o custo de vida da população. Embora o Partido Trabalhista tenha defendido a permanência do Reino Unido na União Europeia no referendo de 2016, a legenda evita retomar esse debate, que ainda divide profundamente o país.

Mecanismos de sucessão

A escolha de um novo líder para substituir Starmer só pode ocorrer se ele renunciar ou se deputados trabalhistas lançarem oficialmente uma candidatura contra ele. Para destituir o atual líder, um candidato precisa do apoio de pelo menos 20% dos deputados trabalhistas e deve comunicar formalmente a candidatura ao secretário-geral do partido. Os candidatos ao cargo de primeiro-ministro precisam ser deputados do partido governista, o que impede que políticos de outras legendas disputem a liderança.

Fragmentação política

O cientista político britânico John Curtice afirmou que os resultados mostram que “a política no Reino Unido está fragmentada” e que o eleitorado se encontra altamente polarizado. O enfraquecimento do tradicional bipartidarismo é uma das maiores transformações da política britânica no último século, com votos se dividindo entre cinco ou mais forças políticas diferentes.

Planos do Reform UK

Em meio à crise trabalhista, o porta-voz de assuntos internos do Reform UK, Zia Yusuf, declarou que um eventual governo liderado pelo partido teria como prioridade máxima a criação de um órgão responsável por coordenar a deportação de imigrantes em situação irregular. Segundo ele, agentes desse órgão seriam encarregados de “localizar, deter e deportar todos os imigrantes ilegais”, mantendo-os em instalações modulares antes de até cinco voos diários de deportação. Yusuf também defendeu medidas para proteger a cultura britânica, incluindo novas regras para impedir que igrejas sejam transformadas em mesquitas.

Nigel Farage destacou que a derrota trabalhista superou suas expectativas e afirmou que “o melhor ainda está por vir”. Segundo ele, os resultados indicam que o Reform UK está no caminho para vencer as eleições gerais previstas para 2029. No entanto, como ainda faltam pouco mais de três anos para a próxima eleição nacional, o cenário político do Reino Unido segue indefinido, sem clareza sobre quem comandará o país no futuro.

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