A Ypê anunciou que continuará atendendo consumidores que desejarem trocar ou obter reembolso pelos produtos com lote final 1. A decisão foi divulgada na noite da última sexta-feira (15), em uma publicação nas redes sociais da empresa. A medida ocorre após o diretor-executivo de assuntos jurídicos e corporativo, Sergio Pompilio, afirmar ao g1 que a empresa suspenderia o ressarcimento.
Cronologia do caso
Desde a determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pela suspensão da fabricação e recolhimento dos produtos Ypê com lote final 1, a empresa orientou consumidores a entrarem em contato pelos canais oficiais ou SAC. Posteriormente, foi criado um canal digital dedicado, com formulário para solicitação de reembolso, exigindo dados como nome, CPF, telefone, e-mail, endereço e chave Pix.
Na manhã de sexta-feira (13), a Diretoria Colegiada da Anvisa decidiu por unanimidade manter a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da Ypê com lotes de fabricação final 1. Os diretores consideraram as medidas da empresa insuficientes, citando um histórico de contaminação microbiológica e riscos sanitários não superados.
Ainda na sexta-feira, horas após a decisão, Sergio Pompilio afirmou ao g1 que a empresa suspenderia o ressarcimento. Segundo ele, a decisão da Anvisa não obrigava o reembolso, e a Ypê só voltaria a tratar do assunto após novos laudos técnicos. O formulário foi atualizado, removendo o campo da chave Pix.
Pouco depois das 19h, a empresa voltou atrás e publicou um comunicado nas redes sociais afirmando que o ressarcimento estava mantido. A nota diz: “Em alinhamento com a Anvisa e devido ao foco na satisfação dos nossos consumidores, a Ypê seguirá atendendo em seus canais oficiais todos aqueles que ainda preferirem efetuar a troca ou obter o ressarcimento pelos produtos adquiridos.” O formulário foi reativado com o campo da chave Pix.
Controle, segurança e denúncias
As medidas contra a Ypê decorrem da presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos. Denúncias da concorrente Unilever em outubro e março levaram a um recolhimento voluntário e, em abril, a uma fiscalização da Anvisa que apontou falhas na fabricação e lotes contaminados.
A Ypê afirma que, segundo seus controles internos, os produtos são seguros e que não houve acidentes de consumo relacionados à contaminação. A empresa propôs à Anvisa novos testes em laboratórios independentes para liberar o uso dos lotes. Enquanto isso, a orientação é que os produtos com lote final 1 sejam guardados até a conclusão dos testes.
A fabricante listou produtos que nunca apresentaram risco de contaminação, como lava-roupas em pó Tixan e Ypê Power Act, lava-louças para máquina, amaciantes, multiuso, água sanitária, alvejantes, cloro gel, sabões em barra, tira-manchas Tixan, limpadores perfumados, lã de aço Assolan, esponjas, saponáceo e lustra-móveis Ypê. Todos os produtos sem o final 1 no lote continuam liberados.
Sobre os 100 lotes com a bactéria, Pompilio explicou que foram apresentados pela própria empresa durante a inspeção como demonstração de segregação e destruição de produtos não conformes. A divergência com a Anvisa está no procedimento de segregação adotado, não na presença dos produtos no mercado.



