O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), declarou na terça-feira (12) que a Polícia Militar atuou "dentro dos limites da legalidade" na operação que removeu estudantes da reitoria da Universidade de São Paulo (USP), ocorrida na madrugada do último domingo (10), no bairro do Butantã, Zona Oeste da capital paulista.
Segundo informações divulgadas pelo g1, os estudantes afirmam que os policiais militares utilizaram cassetetes, bombas de gás e ainda submeteram cerca de 150 manifestantes a um corredor polonês de agressões. Os alunos ocupavam a entrada da reitoria há mais de 60 horas.
Para o governador Tarcísio, a "polícia tem, sim, o dever de atuar" quando ocorrem "baderna, depredação e destruição de patrimônio público". Ele enfatizou: "A universidade é um espaço aberto, de debate, de conhecimento, pesquisa e extensão, mas não pode ser um espaço de baderna, depredação e destruição de patrimônio público. E, a partir do momento que você tem isso, você tem o cometimento de ilícito e a polícia tem sim o dever de atuar. A gente tá falando de financiamento público. Aquilo é pra todos. Não pode haver depredação. E a polícia agiu como tinha que agir, dentro dos limites da legalidade".
Declaração em evento sobre segurança feminina
A declaração foi feita durante um evento promovido pelo governo paulista para divulgar ações do programa "SP Por Todas Mais Seguras", que reúne políticas públicas voltadas à proteção, saúde, autonomia e dignidade de mulheres vítimas de violência doméstica. O evento ocorreu na sede do Comando-Geral da Polícia Militar, no bairro do Bom Retiro, Centro de São Paulo.
Na ocasião, Tarcísio anunciou medidas para reduzir a violência contra a mulher no estado, que tem registrado recordes de feminicídio.
USP repudia violência e alega falta de comunicação prévia
No próprio domingo (10), a Universidade de São Paulo (USP) informou que não foi avisada previamente sobre a ação da PM que retirou os estudantes da ocupação. Em nota oficial, a universidade repudiou a violência durante a operação e defendeu o diálogo como forma de resolução de conflitos.
A desocupação ocorreu durante a madrugada. De acordo com estudantes e representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE), os policiais utilizaram bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes para retirá-los do prédio.
A PM afirmou que cerca de 150 pessoas foram retiradas da reitoria e negou a existência de feridos na ação. A corporação declarou ainda que "eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas". Segundo o DCE, quatro estudantes foram detidos e encaminhados ao 7º Distrito Policial, na região da Lapa, mas foram liberados após a qualificação.
Contexto da ocupação
Os estudantes ocupavam a reitoria desde quinta-feira (7), quando invadiram o prédio durante um protesto ligado à greve de alunos da USP, Unicamp e Unesp. O movimento cobra melhorias nas políticas de permanência estudantil, como aumento de bolsas, reforma das moradias universitárias e manutenção da estrutura física dos campi.
Nota da Polícia Militar
Por meio de nota, a PM informou que 150 pessoas foram retiradas da reitoria e que a ação não resultou em feridos, sendo gravada por câmeras operacionais portáteis dos policiais. A polícia destacou que "eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas".
"Após a desocupação, uma vistoria no espaço constatou os danos ao patrimônio público, entre eles a derrubada do portão de acesso, portas de vidro quebradas, carteiras escolares danificadas, mesas avariadas e danos à catraca de entrada. No local, também foram apreendidos entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes, como facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes", disse a corporação.
A PM acrescentou que os quatro estudantes detidos foram autuados por dano ao patrimônio público e alteração de limites. Após a qualificação, eles foram liberados. A polícia ressaltou que o policiamento permanece no local para garantir a ordem pública e a integridade do patrimônio público.
Nota da USP
A Universidade de São Paulo (USP) divulgou uma nota oficial lamentando os acontecimentos durante o processo de reintegração de posse do prédio da Reitoria. A universidade informou que comunicou a ocupação à Secretaria de Segurança Pública (SSP) no mesmo dia do ocorrido (7/5), visando à adoção de protocolos de proteção e preservação da ordem. No entanto, a desocupação ocorreu sem comunicação prévia à Reitoria.
A USP repudiou o uso da violência como substituto do diálogo e reafirmou seu compromisso com a pluralidade de ideias e a convivência democrática. A universidade destacou que manteve disposição permanente para o diálogo e que as negociações chegaram a um limite diante do atendimento de diversos itens da pauta, da constituição de grupos de trabalho e da presença de pessoas externas à comunidade acadêmica. A Reitoria se declarou aberta a um novo ciclo de diálogo, desde que mantido o direito de ir e vir em todos os espaços da universidade.



