O número de reclamações sobre imóveis abandonados no Centro de Campinas, registradas pelo serviço 156 da prefeitura, teve um aumento expressivo de 135,48% entre 2024 e 2025, passando de 62 para 146 queixas. Moradores relatam que a situação gera insegurança e riscos à saúde, como a proliferação do mosquito da dengue.
Aumento nos pedidos de vistoria
Os pedidos de vistoria devido ao risco de dengue em imóveis abandonados também cresceram, subindo de 128 para 136 registros no mesmo período, um incremento de 6,25%. Em 2026, apenas nos três primeiros meses, já foram contabilizadas 66 queixas gerais de abandono e 31 solicitações de vistoria por suspeita de focos do mosquito.
Preocupação dos moradores
Residentes de bairros como Botafogo e Cambuí afirmam que muitos imóveis desocupados na área central apresentam pichações, janelas quebradas, acúmulo de lixo e mato alto. Segundo os relatos, alguns locais são ocupados por pessoas em situação de rua ou servem como depósitos de entulho. Claudomiro Costa, empresário e morador do Botafogo há quase 50 anos, reclama de um imóvel na rua Delfino Sintra. "A gente fica com moradores de rua, pessoas defecando na rua, criando confusões, quase sendo atropelados. Você pode acionar os donos, usar o 156, que não adianta, ninguém resolve nada", afirmou.
O risco de doenças é outra preocupação. O economista Reginaldo de Andrade, morador do Cambuí, conta que já teve dengue duas vezes, uma delas hemorrágica, e observa da varanda de casa um terreno abandonado por uma construtora. "Eu já tive duas vezes dengue. Fiquei internado cinco dias. Então é um risco muito grande para a saúde. Dependendo do horário do dia, não dá para deixar as janelas abertas, que começa a encher de mosquito", relatou.
Resposta da prefeitura
A Prefeitura de Campinas informou que as denúncias do 156 são encaminhadas às secretarias competentes. Casos de acúmulo de água vão para a Saúde, enquanto mato alto e sujeira são direcionados aos Serviços Públicos. Quando o proprietário é identificado, ele é intimado a resolver o problema em 15 dias. Se não houver solução, nova notificação é emitida, seguida de multa. Caso o dono não seja localizado, a prefeitura inicia trâmites judiciais para obter autorização de entrada forçada e realizar a limpeza.



