A Polícia Federal concluiu que o funkeiro MC Ryan SP utilizava a indústria da música, incluindo cachês, despesas de shows e pagamento de royalties, para lavar dinheiro proveniente de rifas e casas de apostas ilegais. O relatório da Operação Narco Fluxo, obtido pelo g1, detalha o esquema.
Como funcionava o esquema de lavagem
Segundo as investigações, parte dos valores que entravam nas contas das empresas do artista tinha origem ilegal, como bets e rifas. Esses recursos eram usados para custear despesas da equipe, como fretamento de ônibus, diárias e alimentação. Além disso, produtoras como a GR6 realizavam depósitos sem lastro contratual, em valores que chegam a R$ 1,5 milhão.
Os valores ilícitos se misturavam com quantias legais, como pagamentos feitos pela gravadora Sony, que repassou R$ 114.243 à produtora do cantor. Essa mistura dava credibilidade às movimentações financeiras. Na última etapa, o dinheiro era usado para adquirir bens de luxo, como imóveis em condomínios fechados, veículos esportivos e joias.
Operação Narco Fluxo
No dia 15 de abril, a operação cumpriu 33 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal. MC Ryan SP e MC Poze do Rodo estavam entre os presos. Em 23 de abril, a Justiça converteu as prisões em temporárias, sem prazo fixo para terminar.
Origem da investigação
A investigação começou com a análise de arquivos do iCloud do contador Rodrigo de Paula Morgado, obtidos durante a Operação Narco Bet. Os investigadores encontraram indícios de uma organização criminosa voltada à lavagem de capitais, com agentes responsáveis pela captação, internalização, custódia e redistribuição de dinheiro em espécie.
Papel de MC Ryan SP
Ryan Santana dos Santos, nome real do MC, foi identificado como líder e principal beneficiário do esquema. Ele usava empresas de produção musical para misturar receitas legítimas com recursos ilegais. Também montou mecanismos de blindagem patrimonial, transferindo participações societárias para familiares e terceiros.
Papel de MC Poze do Rodo
Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, o MC Poze do Rodo, estava vinculado a empresas e estruturas financeiras que circulavam recursos de rifas e apostas ilegais. Uma de suas empresas, a EMPOZE, foi incluída na lista de bloqueios judiciais.
Operadores do esquema
Tiago de Oliveira era o braço-direito de MC Ryan SP, atuando como gestor financeiro. Alexandre Paula de Sousa Santos, conhecido como Belga, fazia a ponte entre plataformas de apostas e empresas do cantor. Outros investigados atuavam como testas de ferro e operadores logísticos.
Papel dos influenciadores
Influenciadores como Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, divulgavam apostas e rifas, além de melhorar a imagem pública do grupo. Chrys Dias e outros nomes aparecem como financiadores ou intermediários de valores de rifas digitais.
Apreensões
A PF apreendeu carros de luxo, relógios, joias, armas e dinheiro em espécie. Um colar com a imagem de Pablo Escobar foi encontrado na casa de MC Ryan SP. A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores até R$ 1,63 bilhão, incluindo criptomoedas em corretoras como Foxbit e Binance.
Defesas
A defesa de MC Ryan SP afirmou que todas as transações financeiras do cantor são lícitas. Já a defesa de MC Poze do Rodo disse que vai se manifestar após ter acesso ao processo.



