O uso crescente de canetas emagrecedoras, como Mounjaro e Ozempic, está redesenhando o consumo no Brasil, segundo pesquisa inédita da consultoria Reds Research para VEJA NEGÓCIOS. A redução do apetite provocada por esses medicamentos impacta não apenas a alimentação, mas também vestuário, beleza, academias e suplementos.
Impacto na alimentação
Os gastos individuais com comida caíram 12%, com queda de mais de 20% em itens da cesta básica. Em contrapartida, cresce a compra de proteínas, como carnes e pescados. “O consumidor reduz itens básicos e prioriza alimentos funcionais”, afirma Marco Alcolezi, do Carrefour. Bebidas sem açúcar já representam mais de 40% das vendas de refrigerantes no Grupo Pão de Açúcar.
Mudanças no vestuário
Os gastos com roupas caíram 7%, especialmente com peças casuais, enquanto roupas esportivas ganham espaço. Muitos consumidores optam por ajustar as roupas ou recorrer a brechós. “No começo, fui ajustando as peças, depois troquei por vouchers em brechó”, conta Priscilla Lima de Oliveira, que perdeu mais de 30 kg.
Beleza e autocuidado em alta
O setor de beleza é o mais beneficiado, com aumento de 18% nos gastos com massagens e cremes corporais. “Percebemos maior demanda por tratamentos de firmeza da pele”, diz Glaucia Rotta, da Raavi. A Farmax observa que itens de cuidados pessoais viram recompensa e prazer.
Academias e suplementos
63% dos usuários passaram a frequentar academias, com foco em exercícios de força, e não mais cardio. “O aluno busca tonificação e preservação muscular”, explica Alessandra Sekeff, da Bluefit. O consumo de suplementos como whey protein, creatina e ômega 3 cresce, com 15% dos usuários comprando suplementos proteicos.
Saúde e medicamentos
Os gastos com medicamentos oscilam para cima, mas consultas médicas caem, devido à melhora geral de saúde com a perda de peso. “A inovação terapêutica movimenta toda a cadeia”, afirma Marcello De Zagottis, da RD Saúde. Farmácias veem aumento na venda de dermocosméticos e suplementos.
A pesquisa mostra que 68% dos usuários passaram a cuidar mais de si. “É uma redistribuição de consumo entre setores”, resume Karina Milaré, da Reds Research. As empresas precisam se adaptar a essa nova realidade, onde o apetite diminui de um lado e cresce de outro.



