Uma pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (27) revela um cenário desafiador para o candidato de Flávio Bolsonaro (PL) ao governo do Rio de Janeiro, Douglas Ruas. Enquanto o ex-prefeito Eduardo Paes aparece com 40% das intenções de voto, Ruas amarga apenas 10%. Embora a campanha oficial ainda não tenha começado, a percepção é de que, sem a máquina pública e recursos financeiros para garantir apoio de prefeitos, Douglas Ruas enfrentará grandes dificuldades para alavancar sua candidatura.
O PL fluminense sob tensão
O Partido Liberal no Rio de Janeiro transformou-se em um foco de tensão e ameaças. Publicamente, Flávio Bolsonaro apoia Ruas, mas nos bastidores, articula um plano B: André Marinho, que concorrerá pelo Partido Novo. O maior problema de Flávio com o PL de seu estado são os esqueletos do governo de Cláudio Castro, que já começaram a vir à tona. O discurso de campanha de Flávio terá forte tom anticorrupção, mas foi o governo do PL no Rio, liderado por Cláudio Castro, que realizou o maior aporte de dinheiro no banco Master, totalizando mais de 1 bilhão de reais em aplicações, recursos que deveriam ser destinados ao pagamento de aposentados e pensionistas. Esse volume cresce com o aporte da Cedae no mesmo banco, cerca de 200 milhões. Por isso, há forte tensão para saber se uma provável delação de Vorcaro envolverá o PL do Rio.
Problemas pessoais e escândalos
Além da corrupção, tema que Flávio já enfrenta problemas pessoais, como rachadinha e compra de imóveis em dinheiro vivo, a austeridade na gestão pública será outro ponto de ataque ao PT. No entanto, as sucessivas exonerações realizadas após Cláudio Castro deixar o Palácio Guanabara revelam que o PL do Rio transformou a máquina pública em uma verdadeira fantasmolândia. Somente nas primeiras semanas da interinidade do governador interino, desembargador Ricardo Couto, mais de 700 servidores foram exonerados, alguns dos quais não possuíam crachá nem senha para acessar o sistema do governo. Sem senha, é impossível trabalhar. A Casa Civil, outro exemplo de descalabro, contava com uma subsecretária de Gastronomia, cujas entregas são desconhecidas pela população.
Esqueletos na Alerj
Os esqueletos do PL do Rio não se limitam ao governo Castro. A própria Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), hoje presidida por Douglas Ruas, vive em apreensão com um possível desdobramento da operação da Polícia Federal que levou à prisão o antecessor, ex-presidente Rodrigo Bacellar, e o deputado TH Joias, acusados de ligação com o Comando Vermelho. Bacellar era o candidato de Castro e do próprio Douglas Ruas ao governo do estado. A Polícia Federal possui todas as conversas mantidas entre o ex-presidente da Alerj e sua base de apoio, em sua maioria deputados do PL. Constantemente, surgem boatos de que a PF está prestes a prender aliados de Bacellar, o que representaria mais um problema para Ruas.
Plano B: André Marinho
Diante de todas essas cascas de banana, Flávio Bolsonaro intercedeu para que André Marinho tivesse legenda no Novo para disputar o governo do estado. A tese inicial era a de que Flávio manobrava a favor de André para roubar votos de Eduardo Paes na Zona Sul, ajudando a levar Ruas ao segundo turno. Filho de Paulo Marinho, suplente de Flávio no Senado Federal, André é um desconhecido para a grande maioria dos eleitores. Na pesquisa Quaest, ele tem apenas 1% das intenções de voto.
Perspectivas para 2026
A aposta é a de que o terremoto político-policial faça a campanha de 2026 repetir a de 2022, quando o sentimento de que "é tudo ladrão" levou ao Palácio Guanabara dois desconhecidos: o juiz Wilson Witzel e seu vice Cláudio Castro, que acabara de se eleger vereador. André Marinho tem contra ele, além do desconhecimento e da inexperiência, a imagem de garoto da Zona Sul que nasceu em berço privilegiado. A seu favor, o fato de que terá apoio do ecossistema digital da direita na internet e nenhum escândalo de corrupção em seu histórico. Se a candidatura de Ruas implodir e a de André der sinais de vida, não restará outra opção a Flávio senão apoiá-lo. Mais que um plano B, André é o seguro que Flávio está contratando.



