O line-up do Ribeirão Rodeo Music 2026 reúne alguns dos maiores nomes da música nacional, mas, há duas décadas, quando a festa dava seus primeiros passos em Ribeirão Preto (SP), a realidade de parte desses artistas era bem diferente. Enquanto duplas consolidadas como Zezé Di Camargo & Luciano e Matogrosso & Mathias já colhiam os frutos de carreiras estabelecidas, embalando o Brasil com o sertanejo romântico, outros nomes ainda estavam distantes do estrelato atual. Gusttavo Lima, por exemplo, sequer imaginava o tamanho que alcançaria: a música era apenas um sonho. Os irmãos Matheus e Kauan nem cogitavam a parceria no palco. E tem história que vai além da carreira: há duas décadas, Natanzinho Lima ainda vivia a infância. A seguir, o g1 mostra como estavam alguns dos artistas na época.
Gusttavo Lima com um 't' só
Quase cinco anos antes de explodir nas rádios brasileiras, Gusttavo Lima era um adolescente de 16 anos que tentava encontrar o caminho para o sucesso. Depois de anos cantando em barzinhos e eventos de Presidente Olegário (MG), sua cidade natal, em 2005 ele decidiu tentar a sorte em Brasília (DF), onde foi morar sozinho e começou a se apresentar como “Gustavo Lima”, com um “t” só. Por volta dessa época, passou a compor cada vez mais, de forma que, quando gravou seu primeiro disco em 2009, já tinha mais de 150 composições. Sua carreira decolou em 2010, com o CD e DVD “Inventor dos Amores”. A partir dali, músicas como “Caso Consumado”, “Revelação”, “Rosas, Versos e Vinhos” e, principalmente, “Inventor dos Amores” não saíram mais da boca do público.
Bruno & Marrone bombando
Enquanto o sertanejo universitário despontava pelo país, Bruno & Marrone colhia os frutos do trabalho iniciado ainda na década de 1980 com seu sertanejo raiz. Em 2005, os artistas estouraram (mais uma vez) com o disco “Meu Presente é Você”, que terminou o ano como o terceiro mais vendido – só atrás de “Perfil”, de Ana Carolina, e “As Super Novas”, de Ivete Sangalo. A dupla também garantiu, sozinha, três músicas entre as mais tocadas do ano com “Quer Casar Comigo”, “Choram as Rosas” e “Inevitável”. Ainda naquele ano, começaram a divulgação do DVD “Ao Vivo em Goiânia”, que contou com participação da Banda Calypso, e ganharam o prêmio “Melhores do Ano”, da TV Globo, na categoria “Melhor Grupo ou Dupla”, que já tinham vencido em 2001 e 2003, e voltaram a vencer em 2007.
Matheus e Kauan em direções opostas
Apesar de serem irmãos, Matheus e Kauan ainda não formavam a dupla responsável por sucessos como “O Nosso Santo Bateu” e “Te Assumi Pro Brasil”. Em 2005, ambos viviam fases distintas em suas vidas pessoais, mas que, segundo eles, foram determinantes para o sucesso futuro: Matheus, com cerca de 12 anos, deu os seus primeiros passos na escrita, enquanto trabalhava na livraria do tio em Itapuranga, no interior de Goiás. Posteriormente, o que era um hobby se tornou a inspiração para as suas composições, que ganharam forma enquanto ele aprendia a tocar violão. Já Kauan, aos 17 anos, tentava ganhar a vida nos bares de Goiânia (GO), com a sua então dupla Kaique & Kauan. Depois de seguidas desilusões e frustrações, acabou passando alguns anos fora do cenário musical até que aceitou dar uma chance para o irmão Matheus, diante de muita insistência do tio, que já via o potencial na dupla. O reconhecimento nacional de Matheus & Kauan veio em 2015, com “Que Sorte a Nossa”.
Wesley da Silva antes de Safadão
Se no Brasil, de forma geral, o sertanejo ganhava cada vez mais espaço, na região Nordeste o forró tomava conta das principais festas. E, em meio a nomes já consolidados como o da banda Aviões do Forró, o grupo familiar Garota Safada começou a chamar a atenção, misturando forró com arrocha e batidas eletrônicas, e também pelo carisma do vocalista Wesley Oliveira da Silva, mais conhecido como Wesley Safadão. “Esse sou eu diretamente de 2005, quando gravei meu primeiro clipe em Fortaleza. Tinha 17 anos e nem imaginava tudo o que ia acontecer na minha vida. Só posso agradecer a Deus, minha família e as pessoas que de verdade torceram e torcem por mim”, compartilhou ao g1. Pouco a pouco, o sucesso foi se expandindo para outras regiões do país, até que aparições em programas de TV em 2010 tornaram Safadão um fenômeno nacional.
O pequeno Natã
Na primeira edição do Ribeirão Rodeo Music, Natanzinho Lima não tinha completado nem três anos – ele nasceu em novembro de 2002. Natural de Itabaiana (SE), ele cresceu em uma família simples e de cultura caminhoneira, pela qual a cidade é conhecida. Sem praticamente nenhum registro dos seus primeiros anos, o artista lembra que costumava acompanhar seu pai quando ele saía para vender castanhas, atividade que ainda exerce, mesmo diante do sucesso meteórico do filho. Hoje, aos 23 anos, Natanzinho Lima acumula 9 milhões de ouvintes mensais no Spotify e vem levando o brega a todo o Brasil.
Zezé e Luciano no rádio, na TV e no cinema
“2005 foi um ano muito especial pra gente”, definem Zezé Di Camargo e Luciano ao relembrarem como estavam naquela época, quando lançaram o 16º álbum da carreira, intitulado “Zezé Di Camargo & Luciano”. “E graças a Deus, o disco foi um grande sucesso, chegando a tripla platina. Músicas como ‘Fui Eu’ estavam na boca do povo, e isso pra gente é sempre a maior recompensa”, conta Zezé. Esse sucesso nas rádios repercutia também o que acontecia na TV, visto que a canção “Fera Mansa” fazia parte da trilha sonora da novela “América”, que estava no ar na TV Globo. Nas rádios, na TV e no cinema. O ano de 2005 foi também aquele em que a história da dupla chegou às telonas com o filme “2 Filhos de Francisco”, garantindo ainda mais reconhecimento aos irmãos. “Foi um período de muito trabalho, muitos shows e também de gratidão, vendo tudo aquilo que a gente construiu ganhar ainda mais força”, recorda Luciano.
João Bosco e Vinícius e o DVD
Sem as plataformas digitais para divulgação de novos trabalhos, em 2005, o lançamento de DVDs, sempre junto com algum CD novo, impulsionava o alcance dos artistas sobre o público. Foi justamente o caso de João Bosco & Vinícius, ainda no embalo do sucesso atingido entre 2003 e 2004. A dupla fez o lançamento do terceiro CD da carreira e seu primeiro DVD, denominados apenas “Ao Vivo”. “Naquela época, fazer um DVD era quase um sonho distante. Era caro (e continua sendo, viu?!), difícil e, de verdade, a gente não sabia até onde aquilo poderia chegar. Hoje é tudo mais rápido e, pela nossa experiência, mais acessível. Mas a emoção de gravar um projeto continua sendo a mesma”, revela João Bosco. No setlist do projeto, estavam músicas como “Insegurança”, “Magia” e “Faz de Conta”, que por muitos anos permaneceram nos shows da dupla.
Fred & Fabrício em etapas diferentes
Embora já dessem passos importantes na carreira musical, Fred e Fabrício viviam etapas muito diferentes em 2005. “Eu estava começando a cantar, mas não profissionalmente ainda. Só tinha a certeza que era isso que eu queria para a minha vida”, conta Fabrício, que tinha 21 anos. Suas apresentações aconteciam em churrascos, eventos da família e alguns barzinhos de São Sebastião do Paraíso (MG), onde cresceu. A 450 km dali, em Itumbiara (GO), Fred, com 26 anos, se apresentava em boates com a dupla Diego & Dyliel – referência ao seu nome de batismo, Adliel. “Também já tinha começado a compor, produzir os artistas da região e vir para Goiânia cantar nos bares”, comenta, analisando uma época quando ainda nem sonhava na parceria com Fabrício, que só virou realidade em 2021.



