Motorista morre após mal súbito em show do Guns N' Roses em Campo Grande; socorro foi demorado
Motorista morre após mal súbito em show do Guns N' Roses em MS

Motorista de aplicativo morre após mal súbito durante show do Guns N' Roses em Campo Grande

Um vídeo gravado por testemunhas registra o momento dramático em que pessoas tentavam reanimar o motorista de aplicativo Leandro Pereira Alfonso, de 36 anos, que faleceu após sofrer um mal súbito na noite de quinta-feira (9), em frente ao autódromo de Campo Grande, na BR-262. O local recebia o público para o aguardado show da banda internacional Guns N' Roses, que atraiu milhares de fãs para a capital sul-mato-grossense.

Imagens mostram tentativas de reanimação por estudantes de medicina

Nas imagens que circulam nas redes sociais, é possível observar a vítima recebendo massagem cardíaca enquanto policiais militares e rodoviários federais acompanham a situação ao redor. Segundo relatos de testemunhas, as manobras de reanimação foram realizadas por pessoas que estavam no local, entre elas estudantes de medicina que se ofereceram para ajudar. A esposa de Leandro relatou que o atendimento dos socorristas demorou mais de uma hora para chegar devido ao intenso congestionamento no trânsito até o local do evento.

Polícia nega omissão de socorro e explica procedimentos

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), não houve omissão de socorro por parte dos agentes. Em nota oficial, a corporação informou que, quando a equipe chegou ao local, a vítima já estava sendo atendida por pessoas que se identificaram como profissionais de saúde, realizando manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP). A PRF destacou que, nesses casos específicos, não é recomendado que policiais intervenham diretamente, para evitar a interrupção de um procedimento essencial que já estava em andamento.

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A corporação também afirmou que não seria adequado transportar a vítima em uma viatura policial, já que isso poderia interromper as manobras de reanimação e agravar ainda mais o quadro clínico. A PRF disse ainda que acionou imediatamente os serviços de emergência para garantir a continuidade do atendimento especializado por equipes médicas qualificadas.

Testemunhas relatam presença policial sem intervenção direta

Uma das testemunhas, que preferiu não se identificar, afirmou que os policiais permaneceram próximos durante todo o atendimento, mas não realizaram efetivamente as manobras de reanimação. "Eles tentavam ajudar como podiam, mas ficaram mais ao redor, observando a situação", disse. A testemunha também confirmou que as pessoas que faziam o socorro eram estudantes de medicina que se revezavam na massagem cardíaca.

Jaqueline Batista Alves, outra testemunha que gravou o vídeo do ocorrido, contou que chegou ao local por volta das 21h40 e registrou as imagens às 21h47. Segundo ela, antes desse horário não havia policiais no ponto exato onde a vítima estava. "Durante todo o tempo em que permaneci no local, vi os socorristas se revezando na massagem cardíaca, mas não presenciei a atuação direta dos policiais no atendimento médico. Eles ficaram ali, observando. Em nenhum momento ajudaram na reanimação", relatou Jaqueline.

Congestionamento histórico marcou o evento musical

O que era para ser uma noite de festa e celebração musical também foi marcada por transtornos significativos de trânsito para o público presente. Fãs da banda Guns N' Roses enfrentaram mais de três horas de congestionamento para conseguir chegar ao autódromo de Campo Grande. Por causa do trânsito intenso e parado, parte das pessoas desistiu de esperar dentro dos veículos e percorreu a pé mais de 10 quilômetros até o local do show.

Esse caos no trânsito contribuiu diretamente para o atraso no início da apresentação da banda. A expectativa inicial dos organizadores era de um público de aproximadamente 35 mil pessoas. No entanto, por volta das 21 horas, apenas cerca de 16 mil espectadores estavam dentro da arena, enquanto o restante ainda enfrentava dificuldades extremas para chegar ao local do evento.

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Histórico de saúde da vítima e questionamentos sobre estrutura

Leandro Pereira Alfonso trabalhava como motorista de aplicativo e estava no local fazendo serviço extra na noite do show. Segundo informações da família, ele tinha histórico de pressão alta, condição que pode ter contribuído para o mal súbito. O caso gerou questionamentos importantes sobre a estrutura de atendimento médico disponível no entorno de grandes eventos, especialmente considerando o relato unânime das testemunhas sobre a demora na chegada do socorro especializado.

A vítima chegou a ser atendida no local pelas pessoas que realizaram as manobras de reanimação, mas infelizmente não resistiu. A Polícia Militar (PM) também se manifestou sobre o caso, informando que foi acionada após a vítima passar mal. Segundo a corporação, a equipe chegou ao local, verificou a situação detalhadamente e prestou apoio logístico até a chegada do Corpo de Bombeiros, que posteriormente constatou o óbito.