Piloto de 73 anos encerra carreira com voo emocionante e homenagens em Natal
Piloto de 73 anos encerra carreira com voo emocionante em Natal

Piloto de 73 anos encerra trajetória de 50 anos com voo especial em Natal

O comandante José Ribamar de Sá, de 73 anos, viveu um momento histórico e emocionante ao pousar no Aeroporto de Natal nesta semana, marcando o fim de sua carreira comercial na aviação após cinco décadas de dedicação. Entre os passageiros desse voo memorável, estavam seus três filhos – dois deles também pilotos – e sua esposa, tornando a despedida ainda mais significativa.

Natal: o ponto de partida e chegada

A escolha por Natal para esse marco não foi casual. Foi na capital potiguar que Ribamar iniciou sua jornada na aviação, realizou seu primeiro voo e decidiu estabelecer residência. "Eu pedi à empresa para fazer o meu último voo aqui para Natal. Então, foi aqui onde eu comecei e aqui onde eu terminei", explicou o piloto, destacando o simbolismo do local.

A emoção tomou conta ainda antes da decolagem. Durante o briefing com a tripulação, ao anunciar que era seu último voo e sua despedida da Gol Linhas Aéreas, uma comissária começou a chorar, contagando todos presentes. "Aí a gente não segura a emoção", confessou Ribamar.

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Homenagens e celebração familiar

Após pousar em Natal, o piloto teve um momento especial a bordo com a família, que o acompanhou no trajeto de Guarulhos (SP) até a cidade. "Para mim, foi uma satisfação. Encerrar a carreira transportando também a minha família, no avião que eu estava pilotando, digamos assim, pela última vez", completou.

Além disso, ele recebeu homenagens da administração do aeroporto, do Corpo de Bombeiros e da torre de controle. "Realmente foi fantástico. Na saída do avião, então, o que tinha de gente nos aguardando, realmente foi fantástico, foi tudo maravilhoso", descreveu. "Encerrei com chave de ouro a minha carreira na aviação comercial", afirmou com orgulho.

Mais de 30 mil horas de voo e um incidente inusitado

Com uma trajetória impressionante, José Ribamar de Sá estima ter acumulado cerca de 30 mil horas de voo na aviação comercial. Durante 30 anos, realizou voos internacionais, incluindo os mais longos, com duração de aproximadamente 12 horas.

Ao longo da carreira, ele sempre considerou a aviação segura e trabalhou com grandes aeronaves, sem enfrentar grandes perrengues. No entanto, relembrou um episódio curioso no início de sua jornada: "Ainda na fase de período privado, eu fazendo um voo sozinho, aí o avião parou o motor. Eu tive que vir para o chão com o avião com o motor parado".

Embora houvesse a opção de usar paraquedas, Ribamar optou por pousar a aeronave em uma plantação rasteira de cana-de-açúcar próximo a Monte Alegre, na Região Metropolitana de Natal. "E, graças a Deus, estou aqui hoje para contar a história", relatou.

Trajetória diversificada e continuidade na aviação

Ribamar começou sua carreira na Força Aérea Brasileira como piloto militar em Natal. Posteriormente, migrou para a aviação civil, atuando na Transbrasil, empresa que encerrou atividades no início dos anos 2000. Ele também trabalhou em companhias aéreas da China e da Índia antes de retornar ao Brasil para integrar a Gol, onde permaneceu por quase 20 anos.

Apesar de encerrar a carreira comercial, o piloto não pretende se afastar completamente da aviação. Atualmente, ele dá aulas em uma escola de aviação localizada em Natal, com hangar em Nísia Floresta, na Região Metropolitana. A instituição forma pilotos, comissários e outros profissionais da área, além de oferecer voos panorâmicos pelo litoral do Rio Grande do Norte.

"Eu pendurei a chuteira, mas vou continuar jogando descalço", brincou Ribamar, demonstrando que sua paixão pelos céus segue intacta.

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