Cemitérios de Piracicaba e Limeira sofrem com furtos e abandono: famílias denunciam falta de segurança e manutenção
Furtos e abandono em cemitérios de Piracicaba e Limeira geram denúncias

Cemiterios de Piracicaba e Limeira enfrentam crise de abandono e insegurança

Uma situação de abandono e insegurança tem preocupado famílias que possuem entes queridos sepultados em cemitérios municipais da região de Piracicaba, no interior de São Paulo. Denúncias de furtos recorrentes em túmulos, falta de manutenção básica e problemas estruturais graves foram constatados pela equipe da EPTV, afiliada da TV Globo, durante visitas a diversos cemitérios das cidades de Piracicaba e Limeira.

Furtos sistemáticos deixam famílias em luto adicional

No Cemitério da Saudade, o mais antigo de Piracicaba, a situação é particularmente alarmante. A zeladora Izilda Cella relata que roubos de itens de túmulos têm se tornado frequentes: "Nunca aconteceu isso. Agora, de um tempo para cá, que estão ocorrendo esses roubos. Na minha opinião, tem que subir os muros e colocar uma cerca elétrica que preste".

A dona de casa Adriana Victoria viveu na prática essa realidade ao visitar o túmulo do pai na data de seu aniversário. Vários itens haviam desaparecido, incluindo um vaso de bronze que permanecia no local há mais de cinco décadas: "Há 51 anos esse vaso de bronze estava ali, e há 15 dias eu vim e ele estava aí. Hoje ele não está mais. Muito triste, porque se você for andando em cada quadra, você vai ver que em cada túmulo tá falando uma placa, um vaso".

Casos semelhantes se repetem em outros cemitérios da região. A secretária executiva Sônia Rossette teve o túmulo dos pais furtado três vezes, mesmo após substituir peças de bronze por alumínio na tentativa de desestimular os criminosos: "Da última vez, eles quebraram a parte onde tem a vidraria, para tirar as esquadrilhas de alumínio. Eu acho que a administração pública falha muito nesta questão da segurança".

Abandono estrutural e falta de manutenção agravam situação

Além dos furtos, os cemitérios apresentam problemas graves de conservação. No Cemitério da Saudade, uma caixa d'água com vazamento constante formou lodo nos fundos do terreno, enquanto túmulos sem placas de identificação dificultam a localização por parte das famílias.

Em Limeira, a situação não é diferente. Moradores relatam que o mato alto impede o acesso aos jazigos nos cemitérios municipais Parque Limeira e Parque Nossa Senhora das Dores. Esther, moradora da cidade, desabafa: "É um abandono total. Tenho um jazigo lá e já não sei mais onde se encontra porque o cemitério está repleto do mato. Já liguei na prefeitura e ninguém me informa nada. Pagamos caro a taxa de limpeza para não ter o serviço".

Respostas das prefeituras diante das denúncias

A Prefeitura de Piracicaba emitiu nota informando que a Guarda Civil Municipal realiza patrulhamento na região dos cemitérios, incluindo a parte interna dos espaços, e que mantém contrato com empresa para manutenção. A administração municipal ainda revelou que abriu processo formal para receber propostas da iniciativa privada visando a gestão dos cemitérios.

Já a Prefeitura de Limeira afirmou que realiza mutirões de capinação regularmente e que os serviços de zeladoria estão sendo executados. A administração municipal também mencionou estar "implementando um plano de ação que inclui intensificação das rondas e vigilância" em resposta aos furtos reportados.

Apesar das declarações oficiais, as famílias continuam enfrentando dificuldades concretas ao visitar os túmulos de seus entes queridos, em um contexto que mistura luto, insegurança e sensação de abandono por parte do poder público.