Feirantes de Varginha denunciam condições alarmantes em mercado com risco iminente
Os feirantes que atuam no antigo Mercado do Produtor de Varginha continuam enfrentando situações críticas devido às condições estruturais do local. O espaço, que há anos opera com problemas persistentes, apresenta infiltrações graves, vazamentos constantes e um risco real de desabamento, conforme relatos detalhados dos trabalhadores. Apesar da construção recente de um novo prédio, ele não será destinado aos produtores, gerando frustração e incerteza entre a comunidade.
Prefeitura anuncia nova feira no bairro Santana após consulta aos trabalhadores
Em resposta às reclamações, a prefeitura municipal comunicou a construção de uma nova Feira do Produtor no bairro Santana. O terreno selecionado está localizado na Avenida dos Expedicionários, próximo ao Centro Social Urbano. No final de fevereiro, o anúncio foi formalizado durante uma reunião com representantes da administração municipal, onde os feirantes receberam um documento apresentando três opções de locais: o terreno na Avenida dos Expedicionários, a Estação Ferroviária e a Avenida Miguel Alves, no bairro Santa Maria.
De acordo com informações oficiais da prefeitura, 37 pessoas participaram da votação, optando pelo terreno na Avenida dos Expedicionários. A feirante Cássia Pederiva, que não pôde comparecer à reunião, expressou sua esperança de que o novo mercado seja funcional e adequado às necessidades dos trabalhadores. "Desde que seja bem feito, seja feito pra gente. Não precisa muita coisa. Um barracão com bancas, banheiro, um escritório. Estacionamento seria ótimo", afirmou ela, destacando a importância de infraestrutura básica.
Condições atuais geram insegurança e prejuízos financeiros
Lucas Pires, feirante com seis anos de experiência, descreveu a situação no mercado atual como crítica e perigosa. Ele relatou incidentes como o teto cedendo e rompendo, expondo os trabalhadores à chuva e causando perdas de dias de serviço. "As pias, os banheiros, os lavatórios estão decadentes. Os bebedouros são insalubres. Está um caos mesmo. A gente está forçando o máximo para vir trabalhar", disse Pires, que também observou uma queda significativa no movimento de clientes.
O feirante expressou temor de um acidente mais grave, alertando: "Estamos à mercê da natureza. A hora que desabar na nossa cabeça, eles veem o que faz". Essas condições precárias não apenas comprometem a segurança, mas também afetam diretamente a renda dos trabalhadores, que dependem do local para seu sustento.
Demolição do prédio atual e planos para o novo espaço
Segundo Ronaldo Gomes de Lima Júnior, secretário de Planejamento Urbano, o mercado atual será demolido para dar lugar a uma rotatória com uma praça, atendendo a uma necessidade antiga do sistema viário da cidade. Ele explicou que o prédio passou por várias reformas e investimentos ao longo dos anos, mas não há mais solução viável devido às exigências do Ministério Público. "O Ministério Público exigiu adequações que, pelo custo, tornam mais viável construir algo novo", afirmou o secretário.
O novo espaço no bairro Santana contará com cobertura metálica, áreas arejadas, bancas padronizadas e locais destinados à cultura e às crianças, prometendo melhorias significativas na infraestrutura. No entanto, a prefeitura ainda não divulgou uma previsão concreta para o início ou conclusão das obras, deixando os feirantes em um limbo de incerteza.
Prédio inaugurado em 2024 permanece sem uso e gera críticas
A discussão sobre a mudança da feira ganhou força em dezembro de 2024, quando um novo prédio foi inaugurado, mas nunca recebeu atividades. Em fevereiro, a Câmara Municipal realizou uma audiência pública para debater a situação, com o vereador Cássio Chiodi (Solidariedade) criticando a falta de planejamento. "Os valores gastos, os aditivos, por que está parado, por que os produtores não foram consultados... Houve desperdício de dinheiro público. Lá atrás foi proposto uma coisa e, no meio do caminho, trocaram a ideia", declarou ele.
A prefeitura esclareceu que o prédio recém-construído, que não será utilizado pelos produtores, deve funcionar paralelamente ao novo mercado do bairro Santana, seguindo modelos de mercados municipais presentes em grandes capitais. "O mercado é para quem quer um produto típico, diferente. Um pão com linguiça, um pastel especial. Queremos que a população tenha mais um local para visitar todos os dias", explicou o secretário, embora detalhes sobre essa operação paralela permaneçam vagos.
Enquanto isso, os feirantes continuam a trabalhar em condições de risco, aguardando soluções concretas que garantam sua segurança e sustento. A situação destaca desafios persistentes na gestão de infraestrutura pública e na consulta às comunidades afetadas por mudanças urbanísticas.
