Moradores de Campinas reclamam de falta de passarela após obras na Rodovia Miguel Melhado
Falta de passarela gera risco após obras na Rodovia Miguel Melhado

Moradores enfrentam riscos após entrega de obras na Rodovia Miguel Melhado em Campinas

A nova etapa da obra de duplicação da Rodovia Miguel Melhado de Campos (SP-324), em Campinas, foi oficialmente entregue no último sábado (11), mas a celebração foi ofuscada por reclamações de moradores sobre graves problemas de segurança. A ausência de uma passarela adequada e a falta de proteção em trechos da ciclovia estão gerando situações de risco para pedestres e ciclistas que precisam cruzar a via diariamente.

Divisão perigosa entre bairros

A rodovia funciona como uma barreira física entre diversos bairros da região. De um lado, estão localizados os conjuntos habitacionais Jardim Campo Belo I, II e III. Do outro, ficam a Cidade Singer e a comunidade conhecida como "Colômbia". Com a recente obra, a rodovia passou a contar com uma pista elevada, o que tornou ainda mais complexa a travessia para os moradores.

Em vez de uma passarela, foi instalada uma passagem subterrânea para pedestres. No entanto, para utilizá-la, é necessário caminhar aproximadamente 300 metros em uma direção e, em seguida, percorrer mais 300 metros no sentido contrário para alcançar um ponto de ônibus. Segundo relatos dos residentes, essa distância excessiva torna o trajeto não apenas mais longo, mas também mais inseguro, especialmente durante a noite.

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Travessias irregulares e risco de acidentes

Diante da dificuldade imposta pela passagem subterrânea, muitos moradores optam por atravessar diretamente pela pista da rodovia, pulando a barreira de proteção. O trecho em questão não possui faixa de pedestres, semáforo ou qualquer sinalização que permita uma travessia segura, sendo expressamente proibido para pedestres.

"É difícil. Eu mesmo, como moro do outro lado e venho para o outro lado para trabalhar, preciso atravessar a rodovia. Então, nós precisamos atravessar sim. Mas, tipo, para nós darmos uma volta até o retorno perdemos muito tempo. O certo é colocar uma passarela", afirmou o ciclista Jenerlei dos Santos Miranda, destacando a urgência da situação.

O técnico Joilson Soares, também morador da região, relatou um incidente preocupante: "Minha esposa foi quase atropelada hoje de manhã. Do que adianta trazer uma rodovia grande dessas e não ter segurança para quem mora aqui?". Seu depoimento reflete a angústia de muitas famílias que enfrentam diariamente o perigo das travessias irregulares.

Detalhes da obra entregue e promessas futuras

A obra de duplicação e restauração da rodovia, que teve um custo total de R$ 143 milhões e levou pouco mais de três anos para ser concluída, incluiu diversos elementos. De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), foram entregues a duplicação do trecho entre os quilômetros 87,4 e 90,6, a elevação da pista, a recuperação do pavimento das vias marginais, a implantação de viadutos, as passagens inferiores de pedestres, as calçadas e a ciclovia.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) prometeu a construção de uma passarela sobre a via até 2027, embora ainda não exista um projeto pronto para a estrutura. Para que a obra seja realizada, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP) precisa desocupar e demolir casas na Rua Juarez de Paula Camargo, no Campo Belo. Recentemente, a Justiça obrigou o órgão a interromper a retirada dos moradores, criando um entrave adicional ao processo.

Posicionamento das autoridades

Em comunicado oficial, o DER-SP informou que, após a entrega da obra na Rodovia Miguel Melhado Campos, serão elaborados os projetos para a construção da passarela e da contenção da ciclovia. Segundo o órgão, após a conclusão dos projetos, será realizada uma licitação para a execução das obras, com prazo previsto para o menor tempo possível.

O departamento reforçou que a recomendação à população é utilizar a passagem já existente, localizada a cerca de 300 metros do ponto onde será instalada a futura passarela. No entanto, essa orientação não resolve o problema imediato de segurança enfrentado pelos moradores, que continuam expostos a riscos diários em suas travessias.

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O governador Tarcísio de Freitas afirmou durante coletiva de imprensa: "Vamos pegar os melhores locais, vamos avaliar o que atende melhor a população, tanto para fazer toda a segregação da ciclovia com a barreira New Jersey, que é uma proteção importante para os usuários da ciclovia, como também a passarela". Ele acrescentou que as famílias desocupadas pelas obras serão atendidas pelo novo programa habitacional do estado.