O acreano Artur Figueiredo Meirelles, de 43 anos, faleceu na tarde desta quinta-feira, 8 de fevereiro, no Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia. A morte ocorreu após uma longa batalha na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde ele ficou internado por mais de dez dias devido às graves queimaduras sofridas em um acidente doméstico.
Detalhes do acidente fatal
O trágico incidente aconteceu na madrugada do dia 27 de dezembro do ano passado. Uma explosão de uma botija de gás destruiu o apartamento onde Artur vivia sozinho na capital goiana. A força da explosão causou queimaduras de primeiro e segundo graus em 70% do corpo da vítima, com ferimentos principalmente no rosto.
Inicialmente, Artur chegou a sair do local do acidente consciente e caminhando, após ser auxiliado por pessoas que estavam na calçada e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). No entanto, seu quadro de saúde se agravou rapidamente ao chegar ao hospital. Ele precisou ser entubado e transferido para a UTI, onde seu estado se tornou crítico.
Trajetória profissional e mudança para Goiás
Artur Meirelles tinha uma história de dedicação ao serviço público. Ele atuou como ex-coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental (FPE) Envira, no Acre, órgão vinculado à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Em nota, a Funai lamentou profundamente a morte do ex-servidor, destacando sua "contribuição significativa na trajetória da proteção dos direitos dos povos indígenas isolados no estado do Acre" e seu trabalho realizado "com compromisso, responsabilidade e dedicação".
Ele se mudou para Goiânia em 2023, após o falecimento de sua mãe em Rio Branco. De acordo com sua irmã, a jornalista Maria Meirelles, Artur também buscava novas oportunidades de trabalho. Na cidade, ele trabalhava como motorista de aplicativo. Ele era divorciado e deixa um filho de 12 anos, que mora no município acreano de Feijó.
Luta pela vida e apoio da família
Durante os quase 15 dias de internação, a família manteve a esperança. "Tinha dias que melhorava, fiz raspagem, ainda conseguiram extubar ele, mas tiveram que entubar novamente. Ficou sedado e inconsciente todos esses dias. Era um caso muito grave, tínhamos consciência disso", relatou Maria Meirelles ao g1.
Infelizmente, as complicações foram irreversíveis. Os pulmões de Artur começaram a falhar e, na quinta-feira, ele sofreu uma falência múltipla de órgãos, que levou ao seu óbito.
A família enfrenta agora o duplo desafio do luto e das despesas. Eles haviam iniciado uma rifa solidária para ajudar nos custos do tratamento e, agora, precisam arcar com a reforma do apartamento alugado que foi destruído na explosão. O objetivo é arrecadar R$ 5 mil para reconstruir o imóvel.
O corpo de Artur Meirelles será enterrado às 9h deste sábado, 10 de fevereiro, em Goiânia. A família optou por não transladar o corpo para o Acre devido às questões financeiras e ao estado dos ferimentos. Um irmão do motorista, que também reside na capital goiana, ficou responsável pelos arranjos do velório e sepultamento.
Em meio à dor, Maria Meirelles agradeceu o apoio recebido. "Em nome da família, agradeço todo o apoio recebido dos amigos, familiares, pessoas que nem conhecemos e da imprensa. Meu irmão retorna à morada divina, para onde todos voltaremos", concluiu.