Desabamento interdita oito casas no bairro Bom Pastor, em Natal
Pelo menos oito residências foram interditadas na Rua Castelo Branco, localizada no bairro Bom Pastor, Zona Oeste de Natal, após o desabamento de duas casas na sexta-feira passada, dia 27. Nesta segunda-feira, 30, o trecho onde ocorreu o acidente permanecia totalmente isolado, com acesso restrito para moradores e autoridades. Felizmente, ninguém ficou ferido no incidente, mas a situação gerou apreensão na comunidade.
Obras de macrodrenagem sob suspeita
Na rua afetada, está em andamento uma obra de macrodrenagem que teve início em 2010 e estava prevista para ser entregue durante a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, o que não se concretizou. O objetivo da obra é solucionar problemas de escoamento de água da chuva na região, mas o atraso e as recentes intercorrências levantaram questões sobre sua execução.
Algumas das casas interditadas apresentam rachaduras visíveis, e os moradores expressam temor de novos desabamentos. A Secretaria de Infraestrutura de Natal (Seinfra) informou que a construtora responsável pela obra contratou uma empresa especializada para realizar uma perícia técnica, visando entender as causas do desabamento.
Investigações e possíveis indenizações
Segundo a secretária Shirley Cavalcanti, a construtora já realizou uma vistoria cautelar nos imóveis do entorno em 2024. Diante do novo cenário, há a possibilidade de que indenizações ou reparos nas casas sejam efetuados pela prefeitura, caso se confirme uma relação direta dos prejuízos com a obra. "Essa vistoria será feita novamente para que se faça um comparativo e se entenda como estão ocorrendo interferências da obra nesses imóveis", explicou a secretária.
Ela acrescentou: "Havendo realmente danos, o estudo será levantado, e aí será ou ressarcido de alguma forma, seja com reparos, ou com indenizações, de acordo com a gravidade do caso". A perícia está em andamento para avaliar se há problemas estruturais no túnel da obra, que, segundo a secretária, já estava concluído no trecho do desabamento.
Atrasos históricos e previsão de conclusão
A obra de macrodrenagem enfrentou diversos obstáculos ao longo dos anos, incluindo problemas de licenciamento ambiental, entraves técnicos, de execução e mudanças de metodologia, fatores que atrasaram e encareceram significativamente o serviço. Shirley Cavalcanti destacou que os reajustes financeiros, devido ao alto custo da obra, criaram dificuldades para a prefeitura, herdadas de gestões anteriores.
"A gente conseguiu fazer esse acordo junto ao Ministério, garantimos o recurso federal dessa obra, e conseguimos garantir através de financiamentos os valores dos reajustamentos e das contrapartidas, depois de muitos entraves", reforçou a secretária. Inicialmente, havia uma previsão de entrega para julho deste ano, mas com o desabamento, uma nova data deve ser estipulada.
"Agora essa obra ela realmente foi retomada para concluir. A gente tinha uma previsão pra ela concluir agora no final de julho. Com esse ocorrido, a gente vai precisar reprogramar e não temos ainda a previsão, a data-limite", falou Cavalcanti. A situação permanece sob monitoramento, com autoridades trabalhando para garantir a segurança dos moradores e a conclusão adequada da obra.



