Desabamento de lar de idosos em Belo Horizonte causa tragédia com vítimas fatais
Uma casa de repouso para idosos desabou completamente durante a madrugada de quinta-feira (5) em Belo Horizonte, resultando em um cenário de destruição e deixando um rastro de mortos e feridos por soterramento. O incidente ocorreu por volta das 1h30 na Rua Soldado Mário Neto, no bairro Jardim Vitória, onde o prédio de quatro pavimentos, que abrigava o lar "Casa de Repouso Pró-Vida", veio abaixo repentinamente.
Moradores da região relataram ter ouvido um estrondo ensurdecedor pouco antes do colapso estrutural, mobilizando-se imediatamente para tentar socorrer as vítimas até a chegada das equipes de emergência. A área foi rapidamente isolada pelo Corpo de Bombeiros, que iniciou operações de busca e resgate nos escombros, com apoio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), da Defesa Civil de Belo Horizonte e da Guarda Civil Municipal.
Balanço trágico das vítimas e sobreviventes
De acordo com as informações mais recentes, 29 pessoas estavam presentes no local no momento do desabamento. Nove conseguiram escapar por conta própria, mas o saldo é sombrio: dez mortos confirmados, oito feridos e dois desaparecidos que ainda são procurados sob os destroços. Entre os falecidos está o responsável pelo estabelecimento, Renato Duarte, que deixa esposa e um filho.
Um momento de esperança foi registrado quando bombeiros resgataram com vida um idoso de 87 anos, cujo estado de saúde ainda não foi divulgado. Outra sobrevivente, uma senhora que estava em uma suíte com outras pessoas, saiu ilesa e foi levada embora pelo filho, que expressou alívio pela sorte da mãe.
Investigação aponta para possível causa humana
O subsecretário de Proteção e Defesa Civil de Belo Horizonte, Elcione Menezes Alves, destacou que não havia chuvas na região no momento da tragédia, e que a área não é historicamente considerada de risco. Em coletiva de imprensa, ele sugeriu que o desabamento pode estar relacionado a uma "intervenção humana" inadequada.
"Tem característica de risco construtivo, alguma intervenção humana que pode ter sido feita sem observar uma técnica adequada e possa ter provocado isso", afirmou Alves, levantando a hipótese de que obras ou modificações no prédio possam ter comprometido sua estrutura.
Vistoria detalhada e riscos no entorno
A Defesa Civil realizou uma vistoria minuciosa na área, avaliando não apenas o prédio desabado, mas também as residências vizinhas. Foram identificados riscos em vários imóveis próximos, incluindo:
- Risco de colapso do muro de divisa em uma casa aos fundos, com moradores orientados a isolar a varanda.
- Risco de desabamento do muro de divisa em outras duas residências, com áreas dos fundos sendo isoladas preventivamente.
- Possibilidade de queda de materiais do telhado em um dos imóveis avaliados.
Regularidade do estabelecimento e histórico preocupante
A prefeitura de Belo Horizonte informou que o lar de idosos possuía alvará de localização e funcionamento válido até 2030, além de alvará sanitário regular, com última vistoria realizada em janeiro de 2026. No entanto, o local já havia sido palco de um incidente grave em 15 de abril de 2023, quando um incêndio atingiu a propriedade.
Na ocasião, o fogo começou em uma atividade de solda na garagem, causando danos estruturais significativos, incluindo deformações na laje e trincas em vigas. Embora nenhum idoso tenha se ferido naquele episódio, dois funcionários precisaram de atendimento médico por inalação de fumaça.
Investigação policial em andamento
A Polícia Civil abriu inquérito para apurar todas as circunstâncias do desabamento. O delegado Felipe Ribeiro afirmou que a prioridade inicial é apoiar as operações de resgate e as famílias das vítimas, mas que a investigação criminal já foi iniciada.
"Há informações preliminares de uma obra de ampliação em andamento, mas ainda é muito prematuro dizer que o desabamento tem relação com essa obra ou com algumas outras circunstâncias identificadas", declarou o delegado, acrescentando que laudos periciais determinarão se houve crime ou fatalidade.
Os corpos das vítimas serão encaminhados ao Instituto Médico Legal para exames e identificação. Enquanto isso, as buscas pelos desaparecidos continuam, e a comunidade aguarda respostas sobre as causas desta tragédia que abalou Belo Horizonte.
