Cratera na Consolação: Após 68 horas, causa da explosão subterrânea ainda é mistério
Cratera na Consolação: Causa da explosão ainda é mistério

Mistério subterrâneo: Cratera na Consolação permanece sem causa definida após 68 horas

Passadas mais de 68 horas desde que uma violenta explosão abriu uma cratera de aproximadamente 15 metros quadrados na movimentada Rua da Consolação, região central de São Paulo, as autoridades municipais e estaduais ainda não conseguiram apresentar uma explicação oficial e conclusiva sobre as origens do incidente. O buraco, que chegou a interromper parcialmente o tráfego na via, foi finalmente tampado pela prefeitura nesta terça-feira (3), permitindo a normalização total da circulação, mas o que realmente desencadeou o solapamento do asfalto segue envolto em dúvidas e versões conflitantes.

Registro explosivo e hipóteses em disputa

Câmeras de segurança capturaram com precisão o momento exato da explosão, ocorrida por volta das 23 horas do domingo (1º). As imagens mostram pedaços de asfalto sendo arremessados pela força da detonação, surpreendendo inclusive um veículo que estacionava no local. Na segunda-feira (2), três faixas da via permaneceram interditadas durante todo o dia, com a liberação completa sendo realizada pela CET apenas na madrugada desta terça-feira.

A investigação tomou um rumo mais complexo quando a Enel Distribuição São Paulo afirmou que a explosão poderia ter sido causada pelo acúmulo de gases dentro de uma galeria subterrânea. Diante dessa declaração, a Prefeitura de São Paulo acionou a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que enviou equipes ao local por volta das 11 horas desta terça. Os técnicos da Cetesb realizaram buscas por resquícios de substâncias inflamáveis na área, mas, surpreendentemente, não encontraram qualquer vestígio que corroborasse a hipótese inicial.

Conflito entre concessionárias e nova teoria

Enquanto a Enel insistia na detecção de gás em sua rede subterrânea, a Comgás, concessionária de gás natural, negava veementemente a existência de qualquer vazamento na região. Em meio a esse impasse, a Prefeitura elaborou um relatório técnico preliminar apontando que a causa mais provável foi uma falha elétrica nos cabos subterrâneos da própria Enel. Além disso, a administração municipal anunciou que notificará formalmente a concessionária de energia para que explique a origem dos gases inflamáveis que alega ter identificado.

O secretário municipal de Subprefeituras, Fabrício Cobra, apresentou nesta terça-feira uma nova e intrigante hipótese. Segundo ele, a principal linha de investigação no momento sugere uma combustão de borracha dentro da rede subterrânea da Enel. "O que a gente tem de confirmado é que é uma galeria da rede elétrica da Enel que explodiu. A Congás examinou todos os gases e não encontrou metano. A característica da explosão não é parecida com gás natural", afirmou Cobra, destacando relatos de fumaça preta, solo aquecido e forte cheiro de borracha queimada cerca de uma hora antes do incidente.

Relatos de testemunhas e ações pós-explosão

Moradores e transeuntes que estavam próximos ao local no momento da explosão corroboram a versão do cheiro característico. O produtor Rafael Brandão, que passou pela região cerca de 60 minutos antes, descreveu uma mistura de odor de plástico queimado com um leve cheiro de gás. Já o tatuador Ailton Silva Santana, residente no último andar de um prédio vizinho, relatou ter ouvido o barulho intenso e sentido claramente o cheiro de borracha queimada, comparando-o ao de uma lona de carro derrapando.

Após a explosão, a Enel trabalhou na reconstrução da rede danificada e substituiu a tampa de acesso ao poço de visita, trocando a original de concreto por uma de ferro que permite acesso mais rápido para futuras manutenções. A empresa reiterou que encontrou acúmulo de gás dentro da galeria, mas admitiu que a origem desses gases ainda não foi identificada. Paralelamente, a Sabesp confirmou que não há rede de esgoto no local e que suas tubulações não foram atingidas pelo incidente.

A Cetesb segue realizando inspeções técnicas detalhadas para verificar a eventual presença de substâncias inflamáveis e avaliar as providências adotadas pelas concessionárias. A Prefeitura aguarda o resultado dessas análises para fechar o caso, enquanto a população da Consolação aguarda respostas definitivas sobre o que realmente aconteceu sob seus pés.