Clube histórico de Iracemápolis abandonado desde 2019 oferece risco à saúde pública
O Clube Recreativo e Cultural de Iracemápolis (Creci), um espaço que por décadas foi palco de festas, confraternizações e eventos culturais na cidade do interior de São Paulo, encontra-se em estado crítico de abandono. Fechado desde 2019, o local está coberto por mato alto e apresenta sinais visíveis de deterioração, representando um risco à saúde dos moradores devido a condições insalubres, como água parada na piscina.
Comunidade lamenta perda de espaço de convivência
Moradores e artistas locais expressam profunda tristeza e indignação com a situação do clube. Josemaura Rodrigues da Silva, atendente e frequentadora assídua do Creci, relembra com carinho os momentos vividos no espaço. "Era a melhor época possível, porque ali a gente se divertia, encontrava amigos da região inteira. Tenho certeza que se as pessoas soubessem que o Creci abriu novamente, as pessoas vão voltar lá, pelo menos para se encontrar, bater um papo e se lembrar do que aconteceu, que foram épocas muito boas", afirmou.
O músico Kleiton Eduardo destacou a importância cultural do clube para a região. "O Creci era um espaço muito importante porque lá tinham muitos eventos, muitos bailes, muitos eventos temáticos. Movimentava não só Iracemápolis, como toda uma região. Tinham movimentos culturais, peças de teatro, aulas de zumba, de tudo o que você imaginar", contou. Willian da Silva Santos, autônomo, complementou: "Dá pena porque os eventos que tinham, jogos de férias, gincanas no Creci. Muitos artistas renomados tocaram por aqui. Detalhe, o Creci, desde sua fundação, era referência na região".
Imagens revelam situação alarmante
Registros feitos pela EPTV, afiliada da Rede Globo na região de Piracicaba, mostram cenas preocupantes:
- Mato alto tomando calçamentos e áreas externas do clube.
- Água parada e estagnada na piscina, criando ambiente propício para proliferação de mosquitos e doenças.
- Sinais de abandono e falta de manutenção básica em toda a estrutura.
O último evento realizado no Creci foi em 2019, e ainda é possível encontrar registros dessa época nas paredes do prédio, construído na década de 1970.
Prefeitura assume responsabilidade, mas não dá prazo para reabertura
O prédio, que era administrado por uma diretoria em sistema de concessão responsável pela manutenção, foi devolvido à prefeitura de Iracemápolis em 9 de janeiro de 2026, após baixa adesão de associados. O secretário de Administração, Felipe Fraganço, informou que um plano de reabertura está em andamento, mas não apresentou um prazo concreto para a conclusão das obras.
"Já vieram arquitetos verem e a gente está correndo das questões burocráticas de AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) e esse tipo de coisa. Deve ser reaberto o mais rápido possível, a gente está esperando só as questões do AVCB, para já começarem as mudanças porque a questão já é a segurança", explicou o secretário.
Apesar das imagens que mostram o contrário, Fraganço afirmou que a limpeza essencial, como a retirada do mato, está sendo feita pela gestão municipal. No entanto, moradores contestam essa informação, apontando que o abandono persiste e que a falta de manutenção adequada continua oferecendo riscos à saúde pública.
Impacto social e cultural
A situação do Creci reflete um problema mais amplo de abandono de espaços públicos de lazer em municípios do interior. A perda desse clube não afeta apenas a infraestrutura da cidade, mas também:
- Priva a comunidade de um local histórico de convivência e entretenimento.
- Impacta negativamente artistas e grupos culturais que dependiam do espaço para apresentações.
- Compromete a qualidade de vida dos moradores, que perdem opções de lazer acessíveis.
Enquanto a prefeitura não conclui os trâmites burocráticos e as reformas necessárias, o Creci continua fechado, servindo como um triste símbolo do descaso com o patrimônio público e as necessidades da comunidade de Iracemápolis.
