O nível do Rio Juruá em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, começou a baixar neste domingo (3), registrando 14,11 metros às 9h. Segundo a Defesa Civil Municipal, houve uma redução de 8 centímetros em comparação ao sábado (2), quando o manancial marcava 14,19 metros pela manhã. A cheia já alagou bairros e comunidades, forçando 65 famílias a deixarem suas casas. Este foi o quinto transbordamento do rio em quatro meses, ocorrido no último dia 26.
Recuo do nível e estado de emergência
Apesar da leve diminuição, o rio ainda está acima da cota de transbordo, fixada em 13 metros. A Defesa Civil Municipal mantém o estado de emergência desde a última sexta-feira (1º), quando o manancial atingiu 14,19 metros, superando pela segunda vez em menos de um mês a marca histórica de 14,15 metros. O nível permaneceu estável por dois dias antes de começar a recuar.
A vazante foi registrada pela primeira vez na medição das 18h de sábado (2), quando o rio marcou 14,17 metros. De acordo com o monitoramento da Defesa Civil Municipal, as maiores inundações em Cruzeiro do Sul ocorreram em 2017 (14,24 metros), 2021 (14,36 metros) e 2026.
Famílias afetadas e abrigos
Apesar do recuo, a cheia ainda atinge 7.087 famílias em 12 bairros, 15 comunidades rurais e 4 vilas. A retirada das famílias das áreas alagadas para os abrigos começou em 28 de abril. No total, mais de 28 mil pessoas estão afetadas. A prefeitura organizou sete abrigos em unidades de ensino para receber as famílias desabrigadas, onde 271 pessoas recebem assistência. Os abrigos são:
- Escola Padre Arnoud: abriga cinco famílias;
- Escola Corazita Negreiros: abriga seis famílias;
- Escola Madre Adelgundes Becker: abriga 30 famílias;
- Escola Thaumaturgo de Azevedo: abriga seis famílias;
- Escola Marcelino Champagnat: abriga seis famílias;
- Escola Terezinha Saavedra: abriga seis famílias;
- Escola Rita de Cássia: abriga seis famílias.
Entre as 30 famílias abrigadas na Escola Madre Adelgundes Becker, dez são indígenas. A prefeitura informa que os abrigos oferecem alimentação, assistência social e atendimento de saúde. A Defesa Civil estima que cerca de 624 famílias estão desalojadas, abrigadas na casa de parentes.
Energia elétrica e ações emergenciais
Além disso, 323 famílias ainda estão com a energia elétrica suspensa para evitar acidentes nas áreas alagadas. A Energisa orienta a população a manter distância de áreas alagadas e da rede elétrica, e recomenda não operar equipamentos conectados à rede, mesmo que pareçam desligados.
O município recebeu dois barcos para a Defesa Civil e 200 kits de limpeza para as famílias atingidas. Os materiais serão entregues quando os moradores retornarem para casa, auxiliando na limpeza dos imóveis.
Transbordamento recente
O último transbordo ocorreu em 30 de março, quando o rio marcou 13,31 metros e atingiu oito bairros e oito comunidades rurais. Na ocasião, o rio permaneceu nessa marca por mais de uma semana. O quinto transbordamento ocorreu após um período de vazante que havia permitido o retorno de famílias desabrigadas no dia 8 de abril. O pico da cheia foi em 4 de abril, com 14,15 metros, afetando mais de 28 mil pessoas e 7.087 famílias em 12 bairros, 15 comunidades rurais e três vilas.
A cheia do início de abril fez com que 60 famílias fossem levadas a abrigos e outras três para casas de parentes, causando alagamentos, retirada de moradores, suspensão de energia elétrica e interrupção no abastecimento de água potável.
Decreto de emergência
Devido às cheias, o governo do Acre decretou situação de emergência em seis municípios: Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Plácido de Castro. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado em 5 de abril e reconhecida pelo governo federal em 14 de abril. O decreto cita emergência de nível 2, com rios em situação de emergência, atingindo cota de alerta ou transbordamento.



